phpThumb Quem ainda vai para as ruas defender Dilma 2?

"Não é um ato nem contra, nem a favor do governo, mas, sim, pela normalidade democrática (...) O fato é que a eleição acabou, não há terceiro turno" (Wagner Freitas, presidente nacional da CUT).

"Não vai ter refresco. A política que a Dilma está aplicando é a de Aécio Neves. Temos que defender os nossos direitos" (Joaquim Pinheiro, membro da coordenação nacional do MST).

Diante das declarações acima, está cada vez mais difícil saber quem, afinal, ainda está disposto a ir às ruas para defender o governo Dilma-2.

Pelas prévias dos atos que vimos na quinta -feira, na véspera das manifestações que começam nesta sexta, dia 13, e terminam domingo, 15, a presidente Dilma Rousseff está cada vez mais isolada em seu labirinto no segundo mandato que começou há apenas dois meses e meio. Fico triste com isso, mas não há como negar os fatos.

Pela programação inicial, o objetivo da CUT era fazer um contraponto antes das manifestações organizadas pela oposição, há tempos marcadas para o dia 15, mas os fatos dos últimos dias tornaram ainda mais difícil a tarefa de quem busca argumentos para defender o governo petista.

Vamos pegar o exemplo da UNE, uma das entidades pró-governo envolvidas na mobilização dos atos em defesa da Petrobras, organizados em 26 Estados. Os estudantes sempre tiveram um papel importante nas manifestações organizadas pelo PT, mas agora boa parte deles está em pé de guerra com o governo, em razão da lambança promovida pelo Ministério da Educação no Fies, programa de bolsas para estudantes pobres em faculdades particulares. Com os cortes nas verbas e problemas burocráticos, milhares deles estão madrugando em filas para renovar suas matrículas e ameaçados de ficar fora das escolas.

A questão central de todas as entidades envolvidas nos atos em defesa dos direitos trabalhistas, da Petrobras, da democracia e da reforma política é que todas são contra a política econômica do governo Dilma-2 e do seu pacote de ajuste fiscal, que corta benefícios sociais de estudantes e trabalhadores, e não mexe nas grandes fortunas e nos lucros do andar de cima. Como é possível, ao mesmo tempo, defender e atacar um governo que os movimentos sociais ajudaram a reeleger?

Some-se a isso o fato de que os organizadores dos atos contra Dilma e seu governo contam com a simpatia e o apoio ostensivo da grande mídia familiar, e promovem um verdadeiro massacre nas redes sociais, já há várias semanas, convocando seus seguidores para saírem às ruas de 62 cidades. A batalha da comunicação é absolutamente desigual e já foi vencida pela oposição liderada por grupos como Vem pra Rua, Movimento Brasil Livre e Revoltados Online.

Para entendermos do que se trata, o líder deste último grupo, Marcello Reis, sem ocupação definida, já anunciou que pretende levar sua tropa para a avenida Paulista hoje mesmo, no mesmo local e horário, às 16 horas, da manifestação da CUT e do MST. E ele não esconde que quer mesmo o confronto: "Tomara que haja, porque vamos com todas as ações possíveis contra o sapo barbudo", como esses grupos se referem ao ex-presidente Lula.

Lula já avisou que não vai. Aécio ainda não sabe se vai ou não vai aparecer nas ruas no domingo.

E vamos que vamos.

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