Reencontrei o velho amigo Djalma Bom na saída do cine Belas Artes, no final da tarde de sábado. Era exatamente a mesma figura que conheci no final dos anos 70 do século passado, nas históricas greves dos metalúrgicos do ABC paulista. Ao longo do tempo, não mudou a forma de se vestir nem de pensar, nunca deixou de usar chapéu de feltro, nem trocou de lado.

Hoje septuagenário,  o operário aposentado da Mercedes-Benz, ex-vice-prefeito de São Bernardo do Campo e ex-deputado federal Djalma Bom, sempre foi um dos mais fiéis companheiros de Lula na diretoria do sindicato, na criação do PT e da CUT, nas campanhas eleitorais e nos embates políticos que levaram o partido primeiro aos parlamentos e, por fim, ao poder central.

Vimos filmes diferentes, atravessamos a rua e fomos junto com nossas mulheres tomar um chope no Riviera, um boteco daquela época de resistência e sonhos, que era comandado pelo onipresente Juvenal, servindo sozinho todas as mesas barulhentas da chamada esquerda festiva.

O que mudou? Mudaram os amigos, mudaram o país e o mundo, mudou tudo, até o bar que agora ficou chique e é frequentado por uma fauna mais silenciosa. O que dava orgulho agora dá vergonha, a esperança cedeu lugar ao desencanto, não temos mais argumentos, só boas lembranças das lutas pela anistia, pelas eleições diretas, por um país mais justo, menos desigual, com oportunidades para todos.

Nos despedimos no ponto de ônibus, onde o casal Bom embarcou de volta para casa.

Deu saudades de um tempo que não volta nunca mais.

E vida que segue.

http://r7.com/LoZH