Rossi 1024x512 Imprensa: Rossi e Setti, raros encontros de caráter e talento

Vida de repórter também tem coisas boas, não é só escrever sobre a cada vez mais degradada cena política brasileira e outras desgraças. Por um destes bons acasos do destino, esta semana tive a oportunidade de participar, em dois dias seguidos, de entrevistas com duas literalmente grandes figuras do jornalismo brasileiro, que já completaram meio século de profissão.

Participei da gravação do programa "Roda Viva" com Ricardo Setti, que está se aposentando e indo embora do Brasil e, ao lado da colega Luiza Villaméa, de uma longa entrevista com Clóvis Rossi, repórter e colunista da Folha _ dois raros e gratificantes encontros de caráter e talento reunidos nas mesmas pessoas. A entrevista com Rossi será publicada na edição de maio da revista Brasileiros e o "Roda Viva" com Setti, até o fim do mês ainda blogueiro da Veja.com, deve ir ao ar em três semanas, na TV Cultura.

Os dois são um pouco mais velhos do que eu e foram meus chefes em diferentes redações e momentos da carreira. Rossi foi o primeiro, quando entrei ainda menino na redação do Estadão, em 1967, época em que Setti começava no Jornal da Tarde, já extinto, assim como o Jornal do Brasil, onde os três trabalhamos mais tarde.

Pois é, estamos durando mais do que os jornais por onde passamos... A imprensa não costuma falar da imprensa, mas é sempre bom quando podemos contar a história de profissionais que fizeram do trabalho mais do que um ganha pão, uma razão de vida.

Cada um a seu modo, e pensando muitas vezes de forma diferente, Rossi e Setti são a prova viva de que é possível atravessar esta longa estrada fazendo reportagens pelo Brasil e pelo mundo mantendo os mesmos princípios e valores, sendo honestos consigo mesmos e com seus leitores.

Digo isso não porque são meus amigos, mas acho que somos amigos até hoje exatamente por acreditar que não basta ter talento nesta profissão. É preciso ter caráter, respeitar os fatos, ouvir os outros, corrigir imediatamente nossos erros, perseguir a verdade, mesmo sabendo que cada um tem a sua e não existe liberdade absoluta nem na casa da gente.

Precisamos é estar sempre a serviço da sociedade para contar o que está acontecendo no Brasil e no mundo _ de preferência, indo ao lugar dos fatos para ver de perto e ouvir em primeira mão as diferentes versões dos personagens da história.

Num momento em que percebo um sentimento de perplexidade diante dos rumos do país e da profissão nestes milhares de jovens que continuam lotando nossas escolas de jornalismo, apesar da não obrigatoriedade do diploma, recomendo que leiam os livros publicados por ambos e façam uma pesquisa no Google sobre a vida e a obra deles, já que experiências tão ricas e duradouras não cabem no espaço de um blog. E não deixem de ver os belos depoimentos dados por Clóvis Rossi e Ricardo Setti esta semana. Fica a dica.

Bom feriadão a todos.

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