Boletim médico: O Brasil está com dengue

"Como estão as coisas?", pergunto ao jovem filósofo popular Ruy Brisolla, também produtor de cinema, meu oráculo no bar da esquina, a Tabacaria Ranieri.

"O Brasil está com dengue", responde com firmeza, depois de pensar por alguns segundos. E nada mais diz. Nem precisa.

Ao terminar de ler o noticiário de jornais e revistas no fim de semana, parece que eu e o país levamos uma surra. Não sobrou pedra sobre pedra. O Ruy tem razão: os sintomas são semelhantes aos da dengue:

* febre alta com início súbito

* forte dor de cabeça

* perda do paladar e apetite

* tonturas

* náuseas

* extremo cansaço

* moleza e dor no corpo

Quando parecia que o governo Dilma -2 iria sair da UTI na semana anterior, começou tudo de novo, a febre voltou a subir. Por conta de novas denúncias por todo lado e da prisão do tesoureiro do PT, as oposições voltaram com tudo para fechar o cerco ao impeachment da presidente e já falam abertamente até na extinção do PT.

Pois até Aécio Neves já aderiu ao movimento. O único programa de governo do PSDB parece ser o de derrubar o governo do PT no tapetão, já que nas urnas não foi possível. Fala-se em impeachment com a naturalidade de quem dá um espirro.

E a presidente Dilma? Juro que não sei o que ela anda pensando da vida, até porque agora quem fala em nome do governo terceirizado são o Joaquim Levy e o Michel Temer.

Resultado, como já constatei aqui outro dia: vivemos um momento esquizofrênico da nossa história em que não temos nem governo nem oposição, e a Justiça, a polícia, os procuradores, a mídia, o Cunha e o Renan dão as cartas, disputando entre eles o espaço deixado vazio.

Enquanto isso, os casos de dengue que não são metafóricos disparam na vida real. Este ano, a dengue já fez 240% mais vítimas do que em 2014. São mais de 460 mil registros da doença  em todo o país, um número que cresce na proporção de 220 novos casos por hora.

Mais da metade do total de vítimas da dengue foi registrado em São Paulo, que já vive uma epidemia, com 257 mil casos confirmados, um aumento de 700% em relação a 2014, e o número de mortes no maior e mais rico Estado do país chegou a 122 nos primeiros três meses do ano.

E é assim que vamos chegando a mais um 22 de abril, 515 anos depois de Cabral.

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