pedestre Nas calçadas, os perigos da vida pedestre

Experimente andar distraído, sem olhar atentamente para a frente e todos os lados ao mesmo tempo, nas calçadas de São Paulo. É uma verdadeira gincana, em que o número de perigos e obstáculos aumenta a cada dia, sem falar nos buracos, desníveis no calçamento e obras de sempre.

Vendi meu último carro faz mais de cinco anos. Motorista idoso e barbeiro, reconheço, cada vez mais revoltado com o transito, deixei de dirigir. Para a minha segurança e a dos outros,  aderi à vida pedestre, o que só me fez bem. Quando preciso ir mais longe, vou de táxi ou pego uma carona no carro da minha mulher. Não sinto a menor falta. Hoje, se me dessem um carro de presente, agradeceria a gentileza e continuaria andando a pé.

Cena paulistana: logo ao sair do portão do meu prédio na segunda-feira e botar o pé na calçada, quase fui abalroado por dois transeuntes que vinham de cabeça baixa, digitando furiosamente seus celulares. Consegui escapar, passando pelo meio dos dois. É pedestre atropelando pedestre. Na primeira esquina, quase fui derrubado por um motoqueiro que passou buzinando com o farol vermelho.

Nem é preciso atravessar a rua para correr riscos. No mesmo quarteirão, você pode cruzar com matilhas de cachorros tocados por seus passeadores, carros saindo e entrando de garagens, sem parar para ver se tem algum ser vivente passando na frente. Apesar do festival de ciclovias implantadas pela prefeitura nos últimos tempos, alguns donos de belas bikes preferem passear na segurança das calçadas. Como ainda não há faróis ali para disciplinar o trânsito de ciclistas e pedestres, corre-se outro risco de ser atropelado por ambos pois todo mundo se sente o dono da rua.

Malcuidadas e abandonadas tanto pelos donos de imóveis como pelo poder público, as calçadas paulistanas viraram uma terra de ninguém. Foi-se o tempo em que o cidadão se sentia seguro ao caminhar até a padaria ou o banco próximos da sua casa.

Certa vez, numa das ruas mais chiques dos Jardins, um motorista celerado avançou a mil na faixa de pedestres num domingo de manhã e quase atropelou metade de minha família, incluindo um bebê no carrinho e minha sogra nonagenária. Soltei um palavrão, apontando a faixa de pedestres, o cara ficou bravo: "Tá pensando o que? Que vocês estão em Londres?", vociferou.

E assim vamos que vamos.

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