ricardo Feijoada com a família na roça: tem coisa melhor?

Fazia mais de ano que não conseguia reunir toda minha pequena família no sítio para fazer uma feijoada no fogão a lenha. Os variados compromissos de filhas e netos nos finais de semana acabam afastando a gente das melhores coisas da vida.

Cheguei um dia antes para cuidar de todos os pertences, separadamente, até chegar a hora de juntar tudo no velho panelão, com a lenha já crepitando no fogo. Entre começar o preparo e servir, levei bem quase doze horas, mas valeu a pena.

Por isso, resolvi passar para vocês minha receita da melhor feijoada de Porangaba e arredores, incluindo a capital, modéstia à parte. Começa, é claro, pela compra de bons ingredientes, sem esquecer do mais importante, aquelas porcarias boas: rabo, pé e orelha.

O feijão, o arroz e a farinha, tudo tem que ser de primeira. A couve, muito verde e fresquinha, a gente pega na horta. Limão e laranja sempre tem no pomar. Não pode faltar uma boa cachaça, que é de lei, de preferência daquela sem rótulo, que algum vizinho trouxe direto do alambique. E uma pimenta de respeito, não muito ardida, só para acertar a dose certa de emoção.

Aí é só dar início aos trabalhos, sem pressa, respeitando a ordem de entrada em cena.

* Lavar bem, cortar em pedaços e aferventar as porcarias para tirar o excesso de gordura e de sal.

* Catar o feijão preto um a um, bem espalhado sobre uma toalha branca (nesta hora, sempre me lembro da cena de Fernanda Montenegro fazendo isso no filme Eles Não Usam Black-Tie). Lavar e deixar de molho em água filtrada durante a noite.

* Separar e cortar os defumados e embutidos, que vão entrar na panela por último. Guardar na geladeira para evitar cachorros e mosquitos.

* No dia da festança, acordar cedo e botar o feijão para cozinhar no fogão a gás (para economizar lenha) sem nenhum tempero. Deixar ferver até os grãos começarem a amolecer.

* Juntar as porcarias e continuar cozinhando tudo junto por mais meia hora.

* Botar fogo na lenha, começando pelas lascas mais finas, e ir colocando aos poucos as maiores.

* Preparar o refogado numa frigideira com cebola, alho, toucinho picado e uma concha grande de feijão bem amassado no garfo.

* Já no fogão à lenha, despejar aos poucos as outras carnes junto com o refogado e mexer bem forte por alguns minutos com uma colher de pau. Acrescentar três folhas de louro.

* Numa cumbuca de barro, fazer o molho da feijoada com um bocado do caldo que já está engrossando, cebola, salsa, cebolinha, tomate e pimenta dedo-de-moça, bem picados.

* Chamar a mulher para cuidar do arroz, da couve e da farofa.

* Preparar as caipirinhas com limão galego ou cravo (misturar os dois fica ótimo).

Está lançada a sorte. Agora, é só ficar ao lado do fogão controlando a lenha, mexendo e experimentando o caldo de vez em quando. Não costumo colocar sal porque as carnes já dão o tempero certo. Convocar filhas e netos pra montar a mesa no galpão. Cervejas e refrigerantes, por óbvio, não podem faltar na geladeira.

Bom apetite.

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