Previsão do tempo político: temperatura em queda e sol entre nuvens. Depois de chegar ao ponto de ebulição máxima na semana passada, a temperatura da crise caiu alguns graus nas últimas horas.

Colaboraram para isso a queda da Bolsa na China, que ganhou as manchetes mundiais, a viagem da presidente Dilma para participar da reunião dos Brics na Rússia e o feriado de 9 de Julho em São Paulo (aniversário da Revolução Constitucionalista de 1932).

Para o governo Dilma, que tenta sair das cordas, a trégua é bem vinda e pode durar mais algumas semanas. Com parlamentares e magistrados se preparando para o obsequioso recesso de meio de ano, as decisões do Tribunal Superior Eleitoral, sobre as contas da campanha eleitoral da presidente, e do Tribunal de Contas da União, que analisa as "pedaladas fiscais", deverão ficar mesmo para agosto, ao que tudo indica. As oposições também poderiam aproveitar para baixar a bola e planejar com mais juízo os próximos passos.

Melhor assim. Ninguém aguenta mais viver em crise permanente. Outro dia propus aqui que deveríamos todos pensar um pouco mais no que estamos fazendo com o nosso país, no governo, no Congresso, no Judiciário e nas redes sociais, em meio a esta insana guerra política que não tem hora para acabar, como os velhos carnavais.

Afinal, com a derrocada do mercado chinês, que perdeu um terço do seu valor em poucos dias, a crise agora pode se tornar global, com graves consequências para a nossa já fragilizada economia. Principal parceiro comercial do Brasil, a China também era a maior esperança para o país receber investimentos em infraestrutura, e agora ninguém sabe o que pode acontecer.

O que está ruim sempre pode piorar, como estamos aprendendo a cada dia, mas não custa nada guardar nosso pessimismo para dias melhores, como costuma brincar o amigo Frei Betto. Até porque, cara feia e mau humor não resolvem nenhum dos nossos problemas e só servem para contaminar ainda mais nossos já rasos mananciais de esperança.

Em tempo: deixo esta breve reflexão antes de também dar uma trava no batente. Vou tirar dez dias de folga para ficar longe do computador e das notícias, com a família na praia, só olhando para o mar, atento aos sinais do tempo e das marés. Volto no dia 20.

E vida que segue.

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