cunha Para onde você vai, a nuvem preta vai atrás

Foto: Antônio Cruz / ABr / CP

"Cunha anuncia hoje rompimento com governo de Dilma", informa a manchete do R7 na manhã desta sexta-feira de inverno na praia.

Pretendia dar um semana de folga também aos leitores, na esperança de que algo pudesse mudar, mas não tem jeito. De nada adianta ficar sem comprar jornais, deixar o computador desligado, passar longe da TV.

A imensa nuvem negra, que cobre o cenário político, mesmo em dias de sol, vai atrás, onde quer que você vá.  Basta olhar para a cara das pessoas, ouvir as conversas, ver comércios fechados em plena temporada de férias.

Até os netos aqui em casa vieram me perguntar: "Vô, o que vai acontecer com a Dilma?

Todo mundo quer saber: e agora, o que pode acontecer com a gente, com o país?

Após ser acusado por um delator da Lava Jato de ter pedido propina de US$ 5 milhões, Eduardo Cunha, o presidente da Câmara, comunicou a Michel Temer, vice-presidente da República, que anunciará esta noite o rompimento dele com o governo, em cadeia nacional de rádio e televisão, que já estava marcada.

Era o que faltava para dar contornos ainda mais dramáticos à crise política e econômica que se alastra pelo Brasil desde o início do ano, deixando a presidente Dilma Rousseff cada vez mais isolada.

Nem com o seu mentor Lula ela poderá contar muito, já que o ex-presidente agora terá que cuidar também da sua própria defesa. Na mesma tarde de quinta-feira em que Cunha era acusado por dois delatores, o Ministério Público Federal anunciou que Lula está sendo formalmente investigado por suposto tráfico de influência para beneficiar a empreiteira Odebrecht no exterior.

E o que pretende Eduardo Cunha com o rompimento, que já vinha ameaçando há dias, ao responsabilizar o governo pela inclusão do seu nome nas investigações e denúncias da Operação Lava Jato, que se aprofundam a cada dia, e já ameaçam provocar uma crise institucional sem precedentes no nosso país?

Ele não deverá dar essa resposta em seu pronunciamento no rádio e na TV, claro, pois a dissimulação é uma das suas características, mas só posso imaginar uma explicação: ele quer ver o circo pegar fogo para ver se escapa da Justiça no meio da confusão.

Até a Grécia já encontrou uma saída emergencial para a crise esta semana, mas nós nos afundamos nela cada vez mais, sem que ninguém seja capaz neste momento de ver uma luz no final do túnel. Faltam-nos lideranças, no governo e na oposição, faltam-nos partidos de verdade, faltam-nos propostas para uma saída pacífica, falta-nos tudo.

Restam apenas incertezas, e tenho apenas uma certeza: aconteça o que acontecer, não será bom para ninguém.

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