Tem certas coisas na vida que só o tempo nos ensina. "O que a vida me ensinou" é justamente o título de uma coleção da Editora Saraiva, em que vários livro Um pouco de humildade só pode fazer bem autores contam suas experiências a partir de personagens que foram importantes em suas trajetórias.

Um deles é meu colega Heródoto Barbeiro, que colocou esta epígrafe na capa: "Não acredite em nada que digo, experimente". Professor de História e jornalista, âncora do Jornal da Record News e monge budista, entre mil outras atividades, de tudo que ele escreveu neste pequeno grande livro o que mais me marcou foi o valor da humildade.

O próprio Heródoto é um bom exemplo de como é possível levar a teoria à prática do cotidiano nas relações humanas.

Pensei muito nisso nestes poucos dias que passei na praia com a família, enquanto Brasília pegava fogo, com a Operação Lava Jato a pleno vapor, colocando a nu as tenebrosas transações de políticos e empresários.

Humildade vem da palavra húmus, que significa solo sob nós, pés no chão, mas a melhor forma de defini-la é mostrar o seu contrário: ganância, arrogância, ostentação, prepotência, megalomania, que é o que mais vemos por aí.

Para que querem tantos bens materiais e tanto poder, se a nossa vida é curta? No fim, teremos todos o mesmo destino, embora alguns ainda tenham dúvidas por se imaginarem imortais.

Em tempos de crise generalizada como a que vivemos neste momento, certas características humanas se exacerbam, e por isso mesmo é preciso, reconhecer nossas fraquezas e limites, para não entrar na pilha dos que veem no próximo não um parceiro de travessia, mas um inimigo a ser abatido, como podemos constatar, por exemplo, na guerra sem quartel das redes sociais.

Mesmo em situações de dificuldades extremas, vemos alguns personagens outrora poderosos despidos de qualquer autocrítica para aceitar a situação adversa e admitir seus erros. Continuam agindo como se o mundo se dividisse apenas entre quem manda e quem obedece.

Donos da verdade absoluta, sabem tudo o que os outros devem pensar e fazer, e são incapazes de pedir ajuda ou mudar a rota porque acham que isto seria uma humilhação. Deveriam todos ler o livro do Heródoto.

Um pouco de humildade, sem perder o bom humor, só pode fazer bem. "Meu único orgulho é esta minha humildade", costuma brincar o teólogo Frei Betto, que por acaso está produzindo mais um novo livro em parceria com o Heródoto Barbeiro.

Meus dois bons amigos parecem disputar com o prolífico autor Gabriel Chalita o campeonato mundial de lançamento de livros. Vai acabar empatado...

E vida que segue.

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