nizan Nizan encara tubarão da crise e receita mais trabalho

"Você tem que ler isso!", determinou minha mulher logo cedo, passando-me o jornal com a coluna do Nizan Guanaes, e eu obedeci, como de costume.

Era mais um libelo da série de combate à crise que o valente publicitário baiano vem publicando, já faz várias semanas, sobre o que é possível fazer para encarar as dificuldades, em vez de ficar se lamuriando pelos cantos.

A receita é bem simples: trabalhar mais.

A imagem utilizada é a do surfista que enfrentou o tubarão na unha e sobreviveu.

Por coincidência, na véspera, meu diretor na Record News, o popular Mineiro, tinha conversado comigo e com o Nirlando Beirão sugerindo que precisamos levantar o astral, procurar comentar também boas notícias, falar de outras coisas, além da crise econômica e da Lava Jato.

Tem toda razão o Mineiro, também procuro fazer isso todo dia, mas não é fácil, como bem sabem os leitores mais antigos aqui do Balaio. Pois quando faço isso, muitos comentaristas reclamam: "O país tá pegando fogo e você fica aí escrevendo estas abobrinhas, falando de feijoada e futebol..."

As más notícias, como o tubarão, ameaçam nos engolir cada vez que abrimos o jornal ou o computador.

Se a gente não tem nenhuma boa novidade para contar, capaz de alegrar o coração e a alma dos leitores, melhor é recomendar a leitura do texto do velho Nizan, meu amigo desde os tempos em que tínhamos bastante cabelo.

Melhor ainda: já que cada vez menos gente tem o hábito de ler jornal, em lugar de só dar esta dica, vou transcrever na íntegra o artigo dele:

Pra cima do tubarão

Acordo todo dia antes das sete da manhã. Gosto de trabalhar. Sempre gostei. Trabalho muito. Se numa crise o líder segue trabalhando igual, não corta os próprios custos, não foca produtividade e processo, quem vai acreditar que tem uma crise?

Mas não adianta desesperar. O desesperado morre afogado. Se aquele surfista do tubarão tivesse ficado desesperado, tinha morrido. Ele foi lá e bateu no tubarão. Nós temos de enfrentar o tubarão.

O dinheiro sumiu dos lugares onde tradicionalmente estava ou diminuiu. No caso do meu setor, a crise é menor no middle market, e há muitas novas empresas surgindo pelo Brasil.

Eu nunca viajei tanto. Tem uma aeromoça da TAM que acha que sou artista porque me vê sempre sentado no assento 11D, que tem mais espaço para a perna. Mas viajo mais é na Azul, porque só a Azul voa para alguns lugares que tenho ido.

Sabe aqueles lugares do Brasil que o Brasil tradicionalmente esnobava? Ah, meu amigo, vá procurar a crise onde tem Sicredi. Vá a Luiz Eduardo Magalhães, na fronteira da Bahia. Dá uma olhada no grupo Ale na "Maiores e Melhores". Já ouviu falar no grupo Iron House, de Pernambuco? Da água de coco Obrigado, na Bahia?

Eu não sou Poliana. A crise é brava, é dura, mas temos de ser mais duros e inteligentes do que ela.

Uma das ferramentas que ajudam muito a gerir tudo isso, pois há muito a fazer e só 24 horas no dia, é o WhatsApp. Como nosso grupo tem mais de 3.000 pessoas e várias empresas, não dá para ficar o tempo todo em reunião. Por isso, em cada empresa, faço um grupo no WhatsApp e vou acompanhando tudo online e em tempo real. É incrível como funciona. O WhatsApp é a melhor sala de guerra da crise.

É fundamental também ter visão setorial. Não dá para cuidar só do seu próprio negócio. É preciso cuidar do seu setor. Mais do que nunca, pensar em todos é a melhor maneira de pensar em si.

E a propaganda pode ajudar muito numa crise. O Brasil tem um dos melhores parques publicitários do mundo. Em São Paulo, no Rio, em todas as regiões, a publicidade brasileira produz uma das melhores propagandas do planeta. As empresas brasileiras vão precisar da ajuda dessa criatividade para vender mais com menos verba.

Por isso, onde eu vou, eu falo das nossas empresas e falo também de empresas que me inspiram, como a Almap, do Marcello Serpa, o Banco de Eventos, de José Victor Oliva, a TV1, de Sergio Motta Melo, a GAD, de Porto Alegre, a Ampla, do Recife. Enfim, agências de gente guerreira e competente que fará a diferença e ajudará a sair deste momento difícil.

Tenho também focado muito a gestão dos nossos talentos. Nessas horas, precisamos de Silvio Santos e Faustão em nossas organizações. Temos de ser verdadeiros animadores. Espalho mensagens anticrise até nos banheiros. Celebro cada miniconquista. Porque senão a gente fica todo dia celebrando a crise.

Para fazer tudo isso, é preciso trabalhar ainda mais. Mas a hora do almoço é sagrada. Eu vou fazer ginástica, almoço no escritório e volto renovado para a luta.

Trabalhar é gostoso. Sobretudo quando se ama o que faz. Eu amo muito o que faço. E só gosto de trabalhar com quem gosta de trabalhar e ama o que faz. Na minha churrascaria não aceito vegetarianos.

Esta coluna está sendo finalizada às 7h09 da manhã. Bom dia, crise. Vamos à luta. Vamos pra cima do tubarão.

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Concluo este post às 10h30 desta terça-feira e hoje vou trabalhar mais animado.

Modéstia à parte, há tempos não publico um texto tão bom aqui no Balaio...

Vida que segue.

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