manifestacao Atos a favor e contra o governo: deu zero a zero

Poderia repetir aqui nesta sexta-feira a mesma pergunta que fiz no título do post publicado no domingo, logo após as manifestações contra o governo e o PT: "O que vai mudar no dia seguinte? Nada".

À parte a discussão sobre onde tinha mais gente _ sem dúvida, havia muito mais manifestantes no dia 16 nos protestos contra o governo _ o que sobrou de útil de todo este furdunço nas ruas nos últimos dias?

Hoje, só se fala de Eduardo Cunha (ver post anterior) e do que pode acontecer com ele após a denúncia da PGR. Entre o Fora Dilma e o Fica Dilma, nenhuma ideia nova, nenhuma proposta, nenhuma liderança surgiu para enfrentar os nossos grandes desafios do momento: o desemprego e a inflação.

Como escrevi antes, todos os nossos problemas na política e na economia não só continuam do mesmo tamanho, depois que o povo deixa as ruas, como se agravam a cada dia.

O resto é aquele Fla-Flu que não acaba nunca, disputado no Congresso Nacional, nos botecos, nos pontos de ônibus e até nos velórios, e entre os comentaristas deste blog, que já foram bem mais criativos e civilizados em outros tempos.

É desanimador  ter que escrever todos os dias sobre os mesmos assuntos, sem que nada aconteça de realmente novo capaz de sinalizar uma luz no fim do túnel. O perigo é pegar um trem na contra mão.

Protesto a favor é uma coisa que só tem no Brasil. Assim mesmo, teve uma parte dos manifestantes a favor da presidente Dilma que atacou o principal ministro do governo, Joaquim Levy, e o seu ajuste fiscal, defendido justamente pelos que desfilaram no domingo contra o governo. Vai entender.

Tanto faz quantos manifestantes apareceram num ato ou noutro, segundo os organizadores ou a PM. Nada disso muda o jogo nem a tabela do campeonato. A decisão não se dá nas arquibancadas, que só gritam, mas nos conchavos dos bastidores, em que todos falam baixo, tapando a boca. Estamos no popular salve-se quem puder, dane-se o resto. Só é feio perder.

Em tempo: último aviso

Se continuar a baixaria dos comentários enviados nos últimos dias para este Balaio, o que me levou a deletar a maioria deles, vou ser obrigado a fazer como muitos colegas de outros blogs: fechar a área de comentários.

Não tenho mais idade para ficar apartando briga de marmanjos e marmanjas que se ofendem mutuamente em defesa das suas verdades absolutas, sem nada acrescentar de bom ao debate livre e democrático que a internet nos oferece.

Me faz muito mal ter que ler todos os dias _ e eu leio tudo que enviam ao Balaio, não tenho ajudantes para fazer a moderação _ um monte de mensagens mal escritas, grosseiras, com denúncias levianas.

Claro que ainda há honrosas exceções, e a estes leitores peço desculpas pela generalização, mas chega um ponto que fico me perguntando se vale a pena perder várias horas do meu dia para continuar fazendo este trabalho, tirando-me o tempo que poderia dedicar aos netos e amigos ou a um bom livro.

Por muito tempo, os comentários dos leitores foram o esteio, a alma e a melhor parte deste blog, que vai completar sete anos no próximo dia 11 de setembro. Dava-me muito prazer cuidar da moderação.

Uma vez por ano, os participantes de uma filial do blog criado no Google, o saudoso Boteco do Balaio,  organizavam encontros com cachaça e churrasquinho, tornando real o mundo virtual, e muitos se tornaram amigos de verdade. Infelizmente, não há mais clima para isso.

Este é o último apelo que faço para a gente voltar ao convívio fraterno e enriquecedor daqueles bons tempos. Para os que chegaram mais recentemente, vale a pena pesquisar no arquivo do blog e ler os comentários antigos para ver como tudo mudou. Sei que não somos uma ilha, mas podemos pelo menos tentar preservar um mínimo de dignidade no nosso espaço neste inverno de 2015.

Vida que segue

Abraços,

Ricardo Kotscho

http://r7.com/TI7U