A cada dia se multiplicam assustadoramente nas ruas as placas de "vende-se", "aluga-se", "passa-se o ponto". Ao lado delas, enfileiram-se imóveis que simplesmente baixaram as portas, fazendo a festa dos vândalos pichadores, única atividade que não para de crescer. Nos comércios que ainda estão abertos, anunciam-se descontos de 70, 80 ou até 90%. Parece que o país todo está em liquidação.

À medida em que as portas se fecham, mais trabalhadores são colocados na rua, sem esperanças de encontrar outro emprego tão cedo. Em consequência, mais gente vai sendo demitida nas indústrias, que diminuem a produção, até chegar às padarias da esquina, com menos fregueses e, portanto, empregados. É uma bola de neve que vai crescendo morro abaixo, em todas as regiões e atividades econômicas do país, com exceção da agricultura.

A dimensão desta tragédia que assola desde o início do ano o mundo do trabalho foi dada nesta terça-feira, com a divulgação da nova Pesquisa Nacional da Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua pelo IBGE.

A taxa de desemprego chegou a 8,3% no segundo trimestre, a maior da série histórica da pesquisa, o que elevou o contingente total da população desocupada a 8,3 milhões de trabalhadores. Por trás destes números, convivem em cada casa brasileira o drama de quem já perdeu o emprego e o medo dos que ainda estão trabalhando, mas não sabem até quando.

Na comparação com o mesmo período de 2014, o aumento do desemprego foi de 23,5%. Em relação a julho desse ano, subiu 5,3% _ neste período, segundo o Ministério do Trabalho, foram fechados 158 mil postos de trabalho formal.  Em São Paulo, o desemprego ficou acima da média nacional, chegando a 9%. As maiores taxas de desemprego são registradas entre jovens e mulheres.

Ao admitir pela primeira vez, em conversa com jornalistas na segunda-feira, que subestimou a gravidade da crise econômica, a presidente Dilma Rousseff falou dos dois maiores problemas enfrentados pelo governo neste momento: "Nos preocupamos imensamente com duas coisas. Primeiro, é a queda no emprego. Segundo, é a inflação".

A inflação começou a ceder em agosto, como mostra a pesquisa IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor _ Semanal ) da Fundação Getúlio Vargas, também divulgada hoje, que registrou uma queda de 0,36% para 0,27% entre a segunda e a terceira semanas desse mês, mas o desemprego não para de crescer.

Evitar o fechamento de novos postos de trabalho, portanto, deveria ser o principal desafio a ser enfrentado não só pelo governo, mas por toda a sociedade brasileira, incluindo a oposição, uma vez que, com a diminuição da demanda e a queda do consumo provocadas pelo crescimento do desemprego, a inflação deve naturalmente cair. Deveria ser o tema central de todas as discussões políticas em Brasília e das propostas para fazer a economia voltar a crescer, mas não é isso que acontece.

Diante de tantos problemas e da luta pela sobrevivência a qualquer preço, acaba-se perdendo o foco do que é mais importante. E não há nada mais importante na vida do que ter trabalho para poder sustentar a família.

Vida que segue.

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