motoboy Como está difícil e perigoso andar em São Paulo

Foto: Nelson Antoine/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Faz mais de cinco anos deixei de dirigir. Vendi meu carro, guardei a carteira de motorista na gaveta e virei pedestre ou passageiro. Foi melhor assim para não colocar em risco a minha vida e a dos outros. Nunca fui um bom motorista e, com o tempo, fui piorando...

Com quase mil carros novos entrando em circulação todos os dias, rodando pelas mesmas ruas já congestionadas, faz algum tempo que se tornou mais difícil e perigoso ir de um ponto a outro da cidade, qualquer que seja o meio de locomoção, até mesmo a pé.

Nunca se falou tanto em mobilidade urbana, a expressão da moda dos modernos, e nunca tivemos tão pouca mobilidade. Quanto mais se mexe na malha viária, pior fica para todos. É pedestre brigando com ciclista, ciclista disputando espaço com motoristas e motociclistas, ônibus contra táxis e vice-versa, motoboys ameaçando a todos e correndo risco de vida para cumprir suas desumanas jornadas de trabalho.

Enquanto isso, sem um planejamento sério, sem consultar nem informar a população direito, a Prefeitura vai espalhando ciclovias e corredores exclusivos de ônibus por toda parte, reduzindo os limites de velocidade e o espaço dos carros, e multiplicando os radares da indústria de multas, a única que não para de crescer na maior cidade do país.

De uma hora para outra, tudo é feito para tirar os carros de circulação num país que nos últimos anos estimulou a venda de automóveis com descontos de impostos e estímulos às montadoras. Até sou a favor, desde que o poder público ofereça alternativas de transporte público de qualidade, o que não acontece. Ao contrário, só vemos obras do metrô parando, ônibus superlotados nos horários de pico, linhas de trem interrompidas quase todo dia.

Em lugar de mobilidade, o que temos na vida real é um nó cada vez mais apertado, que leva mais gente a fazer o trajeto entre a casa e o trabalho a pé,  transformando a vida numa verdadeira gincana, principalmente para os mais velhos.

Para completar o bumba meu boi urbano, é raro o dia em que São Paulo não tem que enfrentar também os congestionamentos provocados por protestos e manifestações de todo tipo, principalmente na avenida Paulista, o palco preferido dos revoltosos.

Nesta quarta-feira, um protesto com cerca de 5 mil motociclistas fechou os caminhos entre a avenida 23 de Maio e o Viaduto do Chá, onde fica a sede da Prefeitura, para pedir a volta de corredores exclusivos para eles,  entre outras reivindicações.

Um caso emblemático: no último dia 17, o aposentado Florisvaldo Carvalho da Rocha, de 78 anos, que estava atravessando a avenida São João fora da faixa de pedestres, foi atropelado e morto pelo ciclista Gilmar Raimundo de Alencar, de 45 anos, que estava pedalando na faixa dos ônibus ao lado da ciclovia.

Apenas 20 dias após inaugurar a ciclovia sob o Minhocão, a gestão Fernando Haddad está prometendo agora tomar providências para botar ordem nesta zorra e evitar novos acidentes. Com a velocidade máxima reduzida a 50 km/h em praticamente toda a área urbana, São Paulo vai parando aos poucos. E pensar que nós já fomos conhecidos como "a cidade que não pode parar" nos tempos em que os paulistanos tinham orgulho de ter nascido aqui.

E vamos que vamos. Para onde?

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