amaral Prisões agitam a cena política no final do ano

Atualizado às 21h35 de 25.11

Foi uma boa notícia para a democracia e os costumes políticos do país: por ampla maioria (59 votos a 13), o Senado manteve a prisão de Delcídio Amaral (PT-MS), líder do governo, decretada nesta quarta-feira pelo Supremo Tribunal Federal.

A decisão tomada pelos senadores, em votação aberta, evitou uma grave crise institucional, caso houvesse um conflito entre os poderes Judiciário e Legislativo. A gravidade da acusação contra Delcídio, baseada numa gravação de aúdio, revelando a tentativa de interferir nas investigações da Operação Lava-Jato, para evitar a delação premiada do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, não deixou outra saída para o Senado.

A favor da votação secreta, ficaram o presidente Renan Calheiros (PMDB-AL), o senador Jáder Barbalho (PMDB-PA) e o PT, os grandes derrotados da noite.

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Quando tudo parecia indicar uma trégua para o país respirar um pouco no final deste assustador ano de 2015, deixando todas as pendências políticas e econômicas para 2016, eis que irrompeu em cena o temido "fato novo": as prisões desencadeadas na terça-feira, que ainda estão em curso, e ninguém sabe onde vão parar.

Do amigo do ex-presidente Lula, José Carlos Bumlai, ao líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS), chegando até o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, o rapa da Polícia Federal veio com tudo esta semana, e não está livrando a cara de ninguém.

Brasília está de pernas para o ar. No momento em que escrevo, pouco depois das 11 da manhã, o Supremo Tribunal Federal está fazendo uma reunião de emergência para discutir a prisão em flagrante do senador no exercício do mandato, um fato inédito na nossa história política.

Os fatos estão se atropelando e é muito difícil acompanhar todos os episódios para, neste momento, fazer qualquer previsão sobre os desdobramentos políticos dos últimos acontecimentos. A primeira consequência está sendo registrada no mercado financeiro: o dólar sobe e a Bolsa cai.

Antes do final do dia, devo voltar para atualizar este post escrito às pressas, por conta de outros compromissos, e para me informar melhor sobre o que podemos esperar daqui para a frente. Só uma coisa é certa: este final de ano vai ser de muita turbulência. Nada será como antes.

Apertem os cintos.

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