praca Terça feira quente: Brasília enfrenta um dia decisivo

Atualizado às 11h40 de 1º de dezembro.

Atualizado as 19h50.

Em tempo - no final da tarde, o presidente do PT orientou os parlamentares do partido a votarem a favor da admissibilidade do processo no Conselho de Etica contra Eduardo Cunha. Metade da bancada tambem subscreveu um abaixo assinado, na mesma linha, contra o presidente da Camara.

Desta forma, como havia equilibrio no Conselho de Etica, os três votos do PT contra ele no colegiado tornaram mais difíceis as manobras de Cunha para obstruir os trabalhos e impedir a abertura do processo.

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Se ficar o bicho come, se correr o bicho pega. A expressão é antiga, um velho provérbio português, mas não encontrei outra melhor para definir a situação em que se encontram o governo, o PT e a Câmara dos Deputados no começo desta terça-feira, que promete ser quente em Brasília.

À tarde, o Conselho de Ética decide o destino do processo contra Eduardo Cunha. Se o resultado lhe for desfavorável, com a aprovação do relatório de Fausto Pinato (PRB-SP) pela continuidade do processo, Eduardo Cunha ameaça deflagrar a abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.

À noite, sessão conjunta do Congresso Nacional, adiada da semana passada, discute a autorização para o governo fechar este ano com um deficit de R$ 120 bilhões. Desde cedo, logo após a sua chegada de Paris, em reuniões com ministros e lideranças da base aliada, a presidente Dilma Rousseff assumiu pessoalmente a articulação política para convencer senadores e deputados a aprovar mudanças na meta fiscal.

Os 21 integrantes do Conselho de Ética estão divididos. Por isso, serão decisivos os votos dos três deputados do PT no colegiado, que sofrem pressões dos dois lados: do governo e do partido para preservar Cunha e da opinião pública, que quer a cassação do presidente da Câmara (81% dos eleitores, segundo o último Datafolha). Não gostaria de estar na pele deles.

"Vamos analisar todo o cenário, sabemos tudo o que está em jogo e, naturalmente, sabemos que somos uma bancada do governo", disse o deputado Zé Geraldo (PT-PA), resumindo o sentimento dos parlamentares petistas que votarão com a faca no pescoço, como disse certa vez Ricardo Lewandowski, o presidente do STF, durante o julgamento do mensalão.

O que está em jogo neste momento é a governabilidade, sim, mas também o pouco que resta de respeito da população pela Câmara dos Deputados. Faltam apenas 20 dias para o encerramento do ano legislativo e ainda estão pendentes de votação projetos importantes do ajuste fiscal.

O quadro da crise econômica se agravou na segunda-feira com o decreto do governo que cortou mais R$ 11,2 bilhões nas despesas orçamentárias deste ano, para evitar novas sanções  do Tribunal de Contas, o que pode impedir o pagamento até de contas de água e luz dos órgãos públicos.

A primeira reação veio dos tribunais superiores que anunciaram em nota conjunta: "O contingenciamento imposto à Justiça Eleitoral inviabiliza as eleições de 2016 por meio eletrônico". Em outras palavras, isso quer dizer que, por falta de dinheiro, poderemos voltar a votar em cédulas de papel, trocadas por urnas eletrônicas já faz mais de 15 anos. Do jeito que as coisas vão, em breve vamos ter que voltar a usar palha de milho no lugar de papel higiênico e trocar celulares pelos velhos orelhões.

Não me arrisco a fazer qualquer previsão. Vamos esperar para ver o que este dia nos reserva.  Vou agora fazer alguns exames médicos de rotina, se é que é possível manter qualquer rotina nesta hora. Volto a qualquer momento em edição extraordinária e nos vemos à noite no Jornal da Record News, do Heródoto Barbeiro, para fazer um balanço dos acontecimentos.

E vamos que vamos.

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