tie No Brasil de Tite, confiança é a palavra chave

Tite durante o jogo contra a Argentina

"Será que o Brasil vai ganhar da Argentina?", perguntavam-me por onde passei na quinta-feira.

"Vai ganhar!", eu respondia na lata, com uma confiança que há muito não sentia sobre qualquer outra questão.

A Argentina, como sabemos, sempre foi um bicho-papão para o nosso futebol, mesmo nos áureos tempos de Pelé e Cia.

Desta vez, porém, não era um jogador a nos devolver a confiança, mas alguém que nem entra em campo.

Na metade do segundo tempo, quando o Brasil já dava uma lavada de 3 a 0 na Argentina, aconteceu uma coisa que nunca tinha visto antes: os 58 mil torcedores que lotavam o Mineirão, o mesmo estádio dos fatídicos 7 a 1 da Alemanha contra o o Brasil de Felipão, começaram a gritar o nome do técnico Tite.

Esta era a razão da minha confiança, e de todo mundo, antes do jogo.

Com praticamente os mesmos jogadores, em pouco mais de dois meses de trabalho, Tite devolveu ao nosso futebol não só a confiança, mas a beleza, a alegria de jogar, o prazer de ver um belo espetáculo.

Foram cinco vitórias em cinco jogos, 15 gols a favor e só um contra, tirando o Brasil do sexto lugar, ameaçado de não ir à Copa, e levando-o à liderança absoluta nas eliminatórias.

Perdida em campo, com Messi e tudo, a Argentina fez o caminho inverso, depois de contratar Edgardo Bauza, na mesma época: caiu da liderança para o sexto lugar.

Alguém ainda tem dúvida sobre a importância do comandante numa seleção nacional ou em qualquer outra atividade humana?

Nos tempos de Dunga, Mara, minha mulher, tinha desistido de ver os jogos do Brasil como sempre fazia antes. Nem se interessava em saber quando a seleção iria jogar.

Na noite de quinta-feira, quando cheguei do trabalho em casa e o jogo já havia começado, ela estava tão compenetrada diante da televisão que até atrasou o jantar.

Confiança: esta é a palavra-chave do Brasil de Tite, exatamente a mesma palavra mágica que está faltando em todos os outros setores da vida brasileira.