O que nos espera depois do feriadão

O ministro Luis Roberto Barroso

Apesar de mais um feriadão, as articulações políticas continuam a todo vapor nos bastidores dos palácios de Brasília, envolvendo os três poderes, e anunciam novos confrontos quando todos voltarem à luz do dia.

São várias frentes abertas ao mesmo tempo, mas o que concentra as maiores atenções de todos neste momento é o "acordão da anistia" para o caixa dois, que o ministro Luis Roberto Barroso chama de "operação abafa".

Na contra mão do presidente do TSE, Gilmar Mendes, que já se manifestou a favor da criminalização só daqui para a frente de todos os envolvidos, políticos corruptos e empresas corruptoras, Barroso defendeu as investigações da Operação Lava Jato, às vésperas da divulgação de novas delações, "para mudar um paradigma pervertido de absoluta impunidade".

Em entrevista à Folha desta segunda-feira, o ministro disse que "é preciso ficar atento para que não prevaleçam as manobras em curso. A quantidade de interesses que foram atingidos pela Lava Jato faz com que isso seja uma possibilidade".

Agora é uma corrida contra o tempo. Os deputados querem aprovar logo o projeto de medidas de combate à corrupção, mas só para o futuro, anistiando na prática as doações ilegais de campanhas passadas, antes da mega-delação da Odebrecht, que promete não deixar pedra sobre pedra no sistema político brasileiro.

Além disso, faltando apenas um mês para acabar o ano legislativo, acumulam-se as pendências na Câmara e no Senado. Para a aprovação do pacote do ajuste fiscal, faltam ainda duas votações no Senado, a primeira delas marcada para o próximo dia 29 e, a segunda, para o dia 13 de dezembro, às vésperas do recesso.

Para a aprovação da reforma política, faltam ainda uma votação no Senado e duas na Câmara, onde a cláusula de barreira deve enfrentar forte oposição dos partidos médios e pequenos.

Reunidos no chamado centrão, a bancada pluripartidária montada por Eduardo Cunha, estes partidos também se opõem à reeleição de Rodrigo Maia para a presidência da Câmara, solução encontrada pelos governistas para evitar uma disputa entre PSDB e PMDB.

No Senado, o presidente Renan Calheiros, um dos principais alvos da Lava Jato, busca o aval do governo na sua luta particular contra o Judiciário, com os seus projetos de punições para o abuso de autoridade e do corte de salários acima do teto constitucional, que provocou revolta das associações de magistrados.

Para completar o quadro, temos a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos, que trouxe mais incertezas para os agentes econômicos, levando-os a refazer os cálculos de investimentos, vitais para a retomada do crescimento e o combate ao crescente desemprego.

O que falta ainda?