Atualizado às 17h30 e às 19h30

O porta-voz do governo, Alexandre Parola, anunciou por volta das 17 horas desta segunda-feira que o presidente Michel Temer decidiu manter no cargo o ministro Geddel Vieira Lima, alvo de denúncias do ex-Ministro da Cultura, Marcelo Calero.

Pouco depois, em manobra conduzida pelo Planalto, o conselheiro José Saraiva, único indicado pelo governo Temer, retirou o pedido de vista e em seguida o Conselho de Ética se reuniu novamente para aprovar a abertura do processo contra Geddel (ver cobertura completa aqui no R7).

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"Eu estou esperando a avaliação da Comissão de Ética Pública da Presidência da República. Ele tem sido um excelente ministro no papel de interlocutor do

 Geddel fica: a semana promete tensão em Brasília

O ministro Geddel

governo no Congresso", justificou-se o senador Aloysio Nunes (PSD-SP), líder do governo, ao ser perguntado de manhã, sobre o caso Geddel.

Se depender desta comissão, vai continuar esperando. Quando cinco dos sete membros do colegiado já tinham votado a favor da abertura de processo contra o ministro Geddel Vieira Lima, secretário de Governo responsável pela articulação política, um dos conselheiros pediu vista e a decisão foi adiada para 14 de dezembro.

Virou moda. De pedido de vista em pedido de vista, a exemplo do que costuma acontecer no Supremo Tribunal Federal e nas comissões do Congresso, as decisões vão emperrando em Brasília.

Desta forma, mais de 48 horas após a publicação das graves denúncias por tráfico de influência e advocacia administrativa feitas a Geddel pelo ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, ele vai se segurando no cargo, à espera de que detonem outras bombas em Brasília, e o esqueçam.

"Eu posso ser doce, mas sou honesto", respondeu Calero a Geddel, segundo a coluna de Ancelmo Góis, depois dele dizer que o ex-ministro não entendeu suas "ponderações" para liberar o prédio no centro histórico de Salvador, onde comprou um apartamento, "por ser doce".

O presidente Michel Temer ainda não tinha se manifestado sobre o assunto até o começo da tarde desta segunda-feira.

Quem falou por ele foi Moreira Franco, secretário do Programa de Parceria de Investimentos, um dos assessores mais próximos do presidente, dizendo que Temer está "muito preocupado" com a denúncia, mas não esclareceu qual será a decisão do governo:

"O presidente está debruçado sobre a questão para encontrar uma solução que sirva ao governo e ao País".

Ainda segundo Moreira Franco, "o PMDB não se organizou para cometer delito".

Está todo mundo pisando em ovos no Congresso e no Planalto porque Geddel Vieira Lima é um dos mais antigos e fiéis aliados do presidente Temer, desde a época do governo Fernando Henrique Cardoso.

Mantendo-o ou demitindo-o, será mais um desgaste para o governo numa semana particularmente tensa em Brasília, às vésperas da mega-delação da Odebrecht na Lava Jato, em que Geddel também é investigado, e da votação do pacote de medidas contra a corrupção que agita o Congresso.

O governo tem pressa para aprovar as medidas do ajuste fiscal e, os parlamentares, para fazer logo o acordão da anistia do caixa dois, antes das novas delações.

Para quem acha que não falta acontecer mais nada, esta semana promete.

E vamos que vamos.