Há um cheiro de naftalina no ar em Brasília

O ministro Geddel Lima

Às favas com os escrúpulos, como se dizia antigamente.

Geddel foi perdoado por seus pares na base do "não faça mais isso, menino, que é feio", e não se fala mais no assunto.

Nada simboliza melhor o momento de vale-tudo que estamos vivendo na política nacional.

Por mais que surjam novas revelações sobre o escândalo do edifício La Vue envolvendo interesses particulares do ministro-chefe da Secretaria de Governo, que responde a processo na Comissão de Ética Pública, fica tudo como está, decretaram na terça-feira o presidente da República, os presidentes da Câmara e do Senado e os 27 líderes da base aliada.

Foi o próprio presidente Michel Temer quem convocou os líderes para prestar solidariedade ao ministro Geddel Vieira Lima, informa o colunista Ilimar Franco, no jornal O Globo desta quarta-feira.

Aos amigos tudo, aos inimigos a lei, se possível, ensinava-se em tempos passados quando Lava Jato era apenas um serviço prestado a donos de automóveis sujos.

Dizem que o Brasil mudou e as instituições estão todas funcionando nos conformes das mais sólidas democracias, mas o que se vê na prática é uma volta à República Velha sob o lema "manda quem pode, obedece quem tem juízo".

Voltou à moda também aquela célebre frase de Washington Luiz para quem a "questão social é um problema da polícia".

Tem um cheiro de naftalina no ar na Brasília deste final de 2016.

Quando se observa a desenvoltura com que os novos donos do poder se movimentam às claras na defesa dos seus próprios interesses e privilégios, sem dar a menor bola para os súditos, não é de surpreender que agora queiram se auto-anistiar na Câmara pelos crimes cometidos em campanhas eleitorais passadas.

A exemplo do emblemático caso de Geddel, tudo vai ganhando um caráter de normalidade e parece que nada mais é capaz de chocar a freguesia, provocar indignação ou cobranças.

Como antigamente, só não se fazem mais Limas Barretos para contar o que está acontecendo.

E vida que segue.