rodrigoMaia Deputados dão uma banana para a opinião pública

Rodrigo Maia, presidente da câmara dos deputados (Foto: Estadão Conteúdo)

Votação adiada (atualizado às 16 horas):

pouco depois de aprovar, por 312 votos a 65, a urgência na votação do pacote de medidas contra a corrupção, no qual os líderes partidários pretendiam incluir a anistia para o caixa dois, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, diante da falta de acordo, decidiu adiar a sessão para a próxima terça-feira. 

Antes, a maioria do plenário já tinha decidido também rejeitar a votação nominal. Entre outras manobras, os deputados estavam tentando aprovar a anistia por "votação simbólica".

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 Será que eles, os deputados eleitos para nos representar, não estão preocupados com a reação da opinião pública contra a armação que estão montando para fazer do pacote anti-corrupção uma pizza da impunidade com a anistia do caixa dois?

A resposta é não: por tudo que já foi divulgado até agora, às vésperas da votação do pacote, que já está todo desfigurado pela emenda a ser apresentada no plenário nesta quinta-feira, assinada por todos os partidos, menos os nanicos PSOL e Rede, os deputados estão dando uma banana para todos nós, seus eleitores.

Eles estão com pressa para se proteger antes que saia a mega-delação da Odebrecht envolvendo pelo menos 130 políticos dos grandes partidos, todos eles, no propinoduto da maior empreiteira do País. Já está tudo combinado com o Senado para que lá a mutreta também seja aprovada a toque de caixa e enviada à sanção presidencial.

Entre os citados da cúpula do governo pelos 77 delatores, segundo investigadores da Lava Jato, estariam o presidente Michel Temer e os ministros José Serra, Geddel Vieira Lima, Moreira Franco e Eliseu Padilha.

A lista inclui os ex-presidentes Lula e Dilma, os governadores Geraldo Alckmin, Fernando Pimentel e Luiz Fernando Pezão, o ex-governador Aécio Neves e os ex-ministros da Fazenda Antonio Palocci e Guido Mantega.

"Os acordos são considerados devastadores pela importância dos políticos atingidos e também pela riqueza de detalhes e provas dos crimes", relata o repórter Jailton de Carvalho, de O Globo.

Foram nove meses de negociações até começar a fase das assinaturas dos acordos de delação premiada dos executivos da Odebrecht _ por coincidência (ou não), exatamente no mesmo dia em que os deputados correm para aprovar a anistia dos crimes cometidos em eleições passadas já investigados e denunciados pela Lava Jato.

Em intermináveis almoços na casa oficial e reuniões no gabinete do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, a proposta de emenda ao pacote das medidas de combate à corrupção foi fechada na madrugada de hoje, segundo o Broadcast Político do Estadão, que teve acesso ao inacreditável trecho do texto sobre a anistia:

"Não será punível nas esferas penal, civil e eleitoral doação contabilizada, não contabilizada ou não declarada, omitida ou ocultada de bens, valores ou serviços, para financiamento de atividade político-partidária ou eleitoral até a data da publicação desta Lei".

Ou seja, se esta emenda for mesmo aprovada daqui a pouco, acaba a Lava Jato.

Como aconteceu na Operação Mãos Limpas, na Itália, onde políticos de quase todos os partidos do governo e da oposição se uniram para derrubar as investigações e livrá-los da cadeia, aqui também se preparou a grande pizza.

Além de deputados da Rede e do PSOL, só não deverão votar a favor da emenda 26 parlamentares da bancada do PT, que rachou ao meio, para não variar.

A outra metade, liderada pelo deputado Vicente Cândido, decidiu respaldar o líder do partido, Afonso Florence, para assinar o acordo costurado por Rodrigo Maia a favor da anistia do caixa dois.

É o que temos para o momento. Vamos ver o que vai acontecer até o final deste dia histórico em que o Brasil decidirá que rumo pretende seguir daqui para a frente.

Vida que segue.