Crise se agrava: Quinta Negra de Temer e Maia

O presidente Michel Temer

Atualizado (com atraso) às 16h55: 

Geddel caiu, finalmente... 

Vida que segue. 

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Se hoje é dia de Black Friday, ontem foi a Quinta Negra de Michel Temer e Rodrigo Maia em que ambos saíram vendidos na crise que se agrava fora do controle dos donos do poder.

Sai das manchetes o acordão da anistia de Rodrigo Maia, entra a delação de Marcelo Calero que invadiu o gabinete presidencial de Michel Temer.

Em Brasília, é assim: a cada dia, um escândalo supera o outro. Aonde isso vai parar?, perguntam-se todos, enquanto parte dos brasileiros que ainda tem emprego vai às compras.

São tantas crises simultâneas que a gente até se esquece de como começou esta trama macabra para auto-anistiar os políticos e seus financiadores para enterrar de vez a Lava-Jato antes que a mega-delação da Odebrecht imploda de vez o sistema político.

A primeira vez que ouvi falar nesta história faz mais de dois meses, ainda antes da primeira tentativa frustrada de zerar o jogo dos crimes passados numa operação tabajara na calada da noite, em setembro.

Quem me contou foi um amigo que frequenta os salões da poderosa Fiesp, aquela do pato amarelo. Na época, não dei muita bola porque achei aquilo meio inverosímel. Eles não vão chegar a este ponto, pensei.

Em síntese, grandes empresários, também preocupados com os rumos da Lava Jato, estavam dispostos a oferecer aos nobres parlamentares subsídios jurídicos para zerar o jogo com o acordão da anistia do caixa dois.

Como diria o filósofo Conselheiro Acácio, corrupção é um bom negócio que envolve pelo menos dois lados: corrompidos e corruptores. Um não existe sem o outro.

Naquela altura, como até agora, havia muito mais donos e executivos de empreiteiras presos do que políticos protegidos pelo foro privilegiado.

Com a prisão de dois ex-governadores no Rio de Janeiro na semana passada e a aproximação das revelações da mega-delação da Odebrecht, o desespero bateu nos dois lados.

Era hora de detonar logo, a toque de caixa _ caixa dois, como bem definiu o deputado Chico Alencar _,  a bomba que vinham preparando nas catacumbas de Brasília para explodir a Lava Jato.

Por isso, o regime de urgência foi aprovado por larga maioria logo na abertura da sessão na Câmara para a votação do pacote anti-corrupção _ que ironia! _ em que o jabuti da emenda da anistia já estava pronto para ser colocado na árvore da impunidade.

Junto com ele, e poucos se lembraram disso, viriam também maiores facilidades nos acordos de leniência das empresas, nome dado à delação premiada das pessoas jurídicas envolvidas na grande tramoia.

Se não haveria mais crime para quem recebeu grana de propina em campanhas passadas, também não haveria crime para quem pagou com dinheiro sujo.

De repente, no meio da balburdia em que se transformou o plenário da Câmara, com várias versões da emenda circulando e nenhuma definitiva, Rodrigo Maia resolveu fazer um discurso sem pé nem cabeça e encerrou a sessão. Por quê?

Gostaria muito de acreditar que isto aconteceu porque os nobres parlamentares cederam às pressões vindas de fora pelas redes sociais e se tocaram que foram longe demais.

Tenho lá minhas dúvidas porque na hora de salvar o pescoço eles não costumam ter limites. Acho que só resolveram dar um tempo.

Quase simultaneamente, foi adiada para a semana que vem a assinatura dos acordos de delação da Odebrecht e, pouco depois, estourou a bomba do depoimento na Polícia Federal em que o ex-ministro Marcelo Calero acusou o presidente Temer de pressioná-lo para liberar o prédio do Geddel em Salvador.

Embolou tudo. Para complicar ainda mais, ficamos sabendo nesta sexta-feira que Calero gravou as conversas pouco republicanas com Temer.

E certamente vem muito mais coisas por aí que a gente nem imagina.