Atualizado às 12h40:

exatamente como previsto na matéria abaixo, publicada às 10h20 deste domingo, o presidente Michel Temer anunciou agora há pouco, ao lado de Renan Calheiros e Rodrigo Maia, que os três decidiram não "patrocinar" qualquer emenda de autoanistia para crimes de caixa dois e correlatos. 

Em seu pronunciamento, Temer advertiu que, com ou sem este "patrocínio", a decisão final vai depender de decisão do Congresso, mas espera que isso não aconteça. 

Como se fossem contra o jabuti desde o início, e não tivessem participado das articulações da semana passada, eles querem nos fazer acreditar agora que nunca apoiaram o pacote da impunidade que estava sendo preparado no Congresso. Após comandar o processo de anistia na Câmara, Rodrigo Maia foi ainda mais longe:

"A reunião de hoje é importante para esclarecer que essa emenda nunca existiu".

Então, está bom, ficamos assim. Será que tudo não teria passado de um delírio coletivo?. 

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 Daqui a pouco, ao meio dia deste domingo, quando a lama já estava começando a bater no pescoço, os presidentes da República, do Senado e da Câmara deverão anunciar em inédita entrevista coletiva conjunta o enterro simbólico da autoanistia para os políticos enrolados na Lava Jato.

É o mínimo que se espera para acabar de vez com esta tentativa indecente de aproveitar a votação do pacote anticorrupção na Câmara para garantir a impunidade dos que cometeram crimes diversos em campanhas eleitorais passadas.

Mudou tudo.

Durante toda a semana passada, antes dos líderes dos principais partidos acertarem com Rodrigo Maia a aprovação da emenda da autoanistia, na sessão de quinta feira, a posição do presidente Michel Temer, segundo seus assessores mais próximos, era sancionar "o que for decidido pelo Congresso".

A sessão de votação na Câmara seria suspensa por Maia e adiada para a próxima terça-feira. Neste meio tempo, o escândalo Geddel invadiu o gabinete presidencial e passou a ameaçar a sobrevivência não só do agora ex-ministro, mas do próprio governo.

No sábado, em São Paulo, ao avaliar o tamanho da encrenca, Temer deu um cavalo de pau e mandou avisar que não vai mais sancionar anistia nenhuma.

Em seguida, Renan Calheiros (12 processos no STF) comunicou que o Senado também não votaria o jabuti gigante que já estava acertado com a Câmara.

De repente, parece que os donos do poder, que estavam dando uma banana para a opinião pública na tentativa de salvar Geddel e se auto-anistiar, deram-se conta de que tinham ido longe demais em seu cinismo e arrogância.

Numa democracia representativa minimamente civilizada, os ocupantes do poder federal podem muito, mas não podem tudo.

Não podem, por exemplo, ir contra a vontade da imensa maioria dos brasileiros que sofrem com a recessão, o desemprego, o fechamento de empresas e todas as desgraças produzidas pelos desmandos dos seus representantes eleitos.

Tudo tem um limite _ ou deveria ter.

Vida que segue.