Tragédia da Chape provoca onda de solidariedade

Homenagem dos torcedores colombianos ao time da Chapecoense nesta quarta (30)

Uma inédita onda de solidariedade se formou no Brasil e no mundo todo assim que ficamos sabendo da tragédia do avião que matou o time da Chapecoense, terça-feira, na Colômbia.

Em todos os estádios do planeta, fizeram-se minutos de silêncio e jogadores pararam para rezar.

E foi em Medellin, na Colômbia, que vimos na noite desta quarta-feira a mais comovente celebração em homenagem aos mortos.

Nas arquibancadas lotadas do estádio Atanásio Girardot, palco do que deveria ser o primeiro jogo das finais da Copa Sul-Americana, no mesmo horário, 44 mil torcedores do Atlético Nacional, vestidos de branco e segurando velas brancas, cantando e chorando entoaram o grito de guerra do adversário: "Vamos, vamos, vamos Chape". Havia outro tanto de gente do lado de fora do estádio que não conseguiu entrar. A cidade toda parou.

Nunca tinha visto nada parecido na minha vida. Foi como se todos ali tivessem perdido parentes queridos num clima de comoção e compaixão que ainda nos faz acreditar na natureza humana. Há esperanças.

Bandeiras do Brasil e da Chapecoense eram desfraldadas junto com as da Colômbia e do Atlético Nacional, enquanto autoridades locais e brasileiras faziam discursos emocionados que mal conseguiam concluir, intercalados por marchas fúnebres e hinos executados por uma banda militar.

Uma das faixas estendidas nas arquibancadas resumia agora o sentimento que tomou conta da cidade onde o avião caiu:

"Uma nova família nasce".

Outra ensinava:

"O futebol não tem fronteiras".

Que bom seria se estas cenas servissem de lição para os fanáticos que ainda se matam não só por causa de futebol, mas por ideologias, disputas econômicas ou religiosas, cobiça e intolerância, em todas as latitudes, sem ser preciso que aconteçam outras tragédias.

Com voz embargada, olhos fixos no papel à sua frente, lendo com dificuldade um discurso emocionado, o chanceler José Serra foi muito aplaudido pela torcida ao dizer no final:

"A solidariedade nesta tragédia que vitimou também jornalistas e membros da tripulação mostra a importância da nobreza do esporte como catalisador e arma na construção de um mundo melhor".

Com o rigor, o recato, a emoção e a beleza que me fizeram lembrar de cerimônias de encerramento de Jogos Olímpicos, foram lidos os nomes dos 71 mortos, crianças soltaram balões brancos, um helicóptero lançou pétalas sobre o gramado e torcedores jogaram flores das arquibancadas.

Na mesma semana em que o Brasil foi abalado pela tragédia na Colômbia, e o país afundava numa crise política, econômica, moral e, agora também institucional, sem precedentes, vi ali um sinal de vida em meio à homenagem fúnebre.

Apesar de tudo, continuamos humanos, ainda capazes de demonstrar compaixão e dividir com os outros o sofrimento de uma grande nação chamada futebol.

A tragédia aérea da pequena Chapecoense, às vésperas de disputar seu primeiro título internacional, foi não só a maior da história com uma equipe esportiva, mas a primeira nestes tempos dominados pelas comunicações instantâneas das redes sociais, o que acabou provocando esta inédita onda mundial de solidariedade.

#somostodoschape

E vida que segue.