corrupto Farra continua: marajás do Rio inflam mordomias

A farra continua. É inacreditável a desfaçatez dos marajás do Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro: em meio à crise financeira terminal que quebrou o Estado, sem condições nem de pagar os salários do funcionalismo e cuidar dos hospitais, 11 funcionários querem mais mordomias.

Algumas reivindicações da lista que entregaram aos conselheiros do TCM:

* auxílio moradia de R$ 4.377,73, mesmo para os que moram na cidade.

* dois meses de férias por ano.

* converter em dinheiro as licenças-premio a que têm direito a cada cinco anos.

* cargos vitalícios.

Entre estes servidores, alguns já ganham salários que variam entre R$ 28,5 e R$ 30,4 mil reais por mês. Se a Câmara aprovar esta indecência, cada um deles vai ganhar acima de R$ 30,4, que é o teto constitucional do município.

A denúncia foi feita nesta sexta-feira pelo repórter Luiz Ernesto Magalhães no jornal O Globo. Para justificar seus pedidos de mais e melhores mordomias, os marajás cariocas argumentaram que benefícios semelhantes já são recebidos por procuradores e auditores de outros tribunais de contas do país.

Não duvido. Eu sei que marajás e mordomias são duas expressões antigas que caíram em desuso, mas as práticas, não. Ao contrário, multiplicaram-se em todas as latitudes dos servidores dos três poderes. As corporações do funcionalismo público foram se tornando cada vez mais poderosas, a ponto de chantagearem governantes de todos os níveis até conseguirem seus objetivos e hoje fazem parte do seleto grupo de donos do poder falido.

Mordomias, palavra usada por mim para designar os privilégios desta casta, foi empregada pela primeira vez numa série de reportagens sobre a vida dos super-funcionários públicos, publicada no Estadão nos anos 70, ainda no auge do regime militar, logo depois de tirarem os censores deste jornal, que teve importante papel no golpe de 1964.

Marajás foi uma expressão usada por Fernando Collor, então governador de Alagoas, quando lançou sua candidatura presidencial com o apoio dos principais veículos da mídia, que depois se uniram para pedir o seu impeachment. Collor se elegeu prometendo acabar com os super-salários dos marajás de Alagoas, que se espalharam por todo o território nacional.

E assim chegamos à maior crise política, econômica, moral e institucional da nossa história, sem nenhuma perspectiva de que esta farra das corporações possa acabar tão cedo num país depenado em que o presidente do Senado tornou-se réu no STF e o ex-presidente da Câmara está preso em Curitiba.

Pobre Brasil.

Vida que segue.