ABr250413 ANT7442 Toffoli analógico no centro de toda a confusão

No começo de novembro, o plenário do STF já tinha maioria de votos para aprovar a proibição de réus ocuparem cargos na linha sucessória da Presidência da República, quando o ministro Dias Toffoli resolveu pedir vista do processo e a decisão foi suspensa até a liberação do processo.

Na semana passada, depois de Renan ter se tornado réu no STF, o analógico Toffoli, ao ser cobrado pela demora, alegou que ainda não tinha recebido do relator Marco Aurélio Mello os autos do processo. Surpreso com o motivo apresentado, Mello lembrou que há tempos todos os processos do STF estão digitalizados e encontram-se permanentemente à disposição dos ministros, não sendo necessária a viagem dos papéis de um gabinete para outro.

No final da tarde desta segunda-feira, Mello foi à forra e concedeu liminar no pedido da Rede para o afastamento imediato de Renan Calheiros, substituído no cargo pelo vice, o senador Jorge Viana, do PT do Acre.

Na mesma hora, o presidente agora afastado do Senado era esperado no Palácio do Planalto para participar do anúncio do projeto de reforma da previdência, mas ninguém sabia dizer onde ele estava.

Durante todo o dia, Renan não foi visto no Senado, depois de ter sido o principal alvo dos protestos de domingo contra a corrupção e em defesa da Lava Jato.

Com Brasília mais uma vez de pernas para o ar, além da crise institucional entre o Legislativo e o Judiciário, temos agora um confronto aberto entre os ministros Marco Aurélio Mello e Dias Toffoli, que tinha votado pela absolvição de Renan, e não devolveu o processo até agora.

Ainda não há data para o plenário do STF decidir a pendenga, mantendo ou não a liminar de Mello, nem Toffoli tem prazo para a devolução do processo. Este é o estado da arte no momento.

De certo, temos apenas que, diante de toda essa nova confusão, não há o menor clima para que entre em votação na tarde desta terça feira o projeto sobre abuso de autoridade, de sua autoria, como planejava Renan Calheiros (ver post anterior).

Tudo poderia ter sido evitado se Dias Toffoli já tivesse aprendido a usar a internet e, Renan Calheiros, a ouvir voz das ruas em vez de peitar o Judiciário.

Vida que segue.