cunha Cunha está preso, mas mostra que ainda tem poder

Cunha no dia em que foi preso pela Polícia Federal

Estava tudo acertado entre Temer, FHC e Aécio para aumentar o espaço do PSDB no governo. Diante da rebelião do Centrão, a bancada suprapartidária criada por Eduardo Cunha, o presidente teve que suspender a operação na última hora da quinta-feira.

O líder na Câmara, Antonio Imbassahy, do PSDB da Bahia, já estava em pleno voo para assumir a vaga de Geddel Vieira Lima, aquele do famoso apartamento, na articulação do governo.

É tão ampla a base aliada do governo Temer que fica difícil satisfazer os apetites da turma com seus diferentes interesses e muita fome de poder.

Convém lembrar que foi ao perder o apoio do então presidente da Câmara, em 2015, que começou a derrocada do governo de Dilma Rousseff.

A aliança formada por 13 partidos no auge do poder de Cunha, que hoje está preso em Curitiba, agora ameaça abandonar o barco caso Imbassahy seja confirmado para a articulação política.

Temer achou melhor dar um tempo para não embaralhar a indicação do novo Secretário de Governo com a eleição de presidente da Câmara, marcada para fevereiro, outro foco de disputa.

Com o apoio do governo e do PSDB, Rodrigo Maia luta para ficar no cargo, que o Centrão também reivindica.

O líder do PTB, Jovair Arantes, relator do impeachment, que está de olho na cadeira de Maia, e foi um dos últimos e mais aguerridos integrantes da tropa de choque de Eduardo Cunha, advertiu que não é hora de o governo arrumar confusão.

"O momento é delicado, estamos no meio de uma disputa na Casa, onde os dois grupos que discutem a sucessão na Câmara são base do governo. Seria inconveniente uma ação que poderia parecer ingerência do governo".

Como o Congresso sai de férias na próxima semana, e só volta no começo de fevereiro, a tendência é mesmo deixar mais esta questão para 2017, enquanto as melancias se ajeitam na caçamba.

E vamos que vamos.