natal Turma do Estadão: amigos celebram juntos 51 Natais

Neste nosso mundo de relações fast-food, traições e delações, não é muito comum uma turma de amigos celebrar 51 Natais juntos, dividindo os mesmos pratos, alegrias e tristezas, esperanças e desencantos.

Ainda mais quando estes amigos são jornalistas, uma tribo muito competitiva e beligerante, de alta rotatividade profissional e afetiva.

Faço parte desta "Turma do Estadão" quase desde o início, nos anos 60 do século passado. Sempre fui e até hoje sou o caçula, ainda chamado de Ricardinho.

Alguns já se foram, outros se afastaram e depois voltaram, mas há um núcleo fiel que resiste bravamente ao tempo e às intempéries da vida.

Arrisco-me a dizer que se trata de um pequeno milagre esta amizade longeva de pessoas tão diferentes e suas respectivas mulheres, que também se tornaram amigas.

O nosso Papai Noel sempre foi o Saul Galvão de França Júnior, caipira de Jaú e refinado crítico de comes e bebes, que não está mais entre nós.

Em seu lugar assumiu o posto outro quatrocentão do Estadão, Alberto Parahyba Quartim de Moraes, o único entre nós que ainda trabalha no jornal, como editorialista.

Nos tempos antigos, os anfitriões se revezavam a cada Natal, mas já faz tempo que a festa é feita sempre no apartamento da educadora aposentada Sila Maria, irmã do Saul.

Nunca pode faltar a leitoa importada de Jaú e até hoje desfrutamos da excelsa adega do Saul para nunca esquecermos dele.

Os preparativos começam bem antes com o sorteio dos amigos secretos e a montagem da cada vez mais feérica decoração natalina cuidada com esmero pela nossa incansável Sila Maria com a ajuda da Rita.

A esta altura, o caro leitor ou leitora poderá me perguntar: e o que eu tenho a ver com tudo isso?

Talvez nada, e peço desculpas por tratar de assunto tão particular, mas acho que de vez em quando é bom compartilhar com vocês os bons momentos da vida, que também existem.

Nossa turma tem ou teve profissionais renomados de diferentes talentos e especialidades, mas algo em comum: a fidelidade a princípios e às suas próprias biografias, o que talvez explique a longa convivência, nem sempre pacífica ao falarmos de futebol ou de política, como costuma acontecer com pessoas que se gostam e se respeitam. O que nos une é simplesmente o afeto.

Não vou me arriscar a citar nomes porque tanto tempo já se passou e posso esquecer de algum pois a memória não anda boa.

O médico até me receitou um remédio, mas esqueço de tomá-lo...

Passei por muitas outras turmas de vários jornais, revistas e emissoras de TV nesta longa jornada pelos principais veículos da mídia brasileira. E em todos deixei bons amigos.

Já velho, ganhei mais uma. É a turma boa da Record News, onde trabalho atualmente.

No dia seguinte ao jantar da "Turma do Estadão", comemoramos juntos o final do ano (2016 finalmente está acabando!) na belíssima reserva ecológica do Heródoto Barbeiro, em Taiaçupeba, distrito de Mogi das Cruzes, com direito a feijoada completa e a uma breve celebração ecumênica na capelinha.

Da falta de bons amigos não posso me queixar. É o que nos resta.

Vida que segue.

Em tempo: se os internautas que acompanham este blog há oito anos no ar também tiverem uma turma boa dessas, contem pra nós. Precisamos de boas histórias.

Bom domingo.