Depois do Teto de Gastos, vem a Previdência?

Renan Calheiros durante a aprovação da PEC do Teto nesta terça (12)

Num ponto estão todos de acordo: sem a reforma da previdência, a PEC do Teto de Gastos, que acaba de ser aprovada em segundo turno no Senado nesta terça-feira, não será suficiente para fazer o ajuste fiscal e evitar o rombo das contas públicas no próximo ano.

Se esta emenda constitucional que prevê o congelamento dos gastos públicos pelos próximos 20 anos já é rejeitada por 60% da população, segundo o Datafolha, pode-se imaginar a batalha que o governo deverá enfrentar no Congresso para aprovar a proposta de reforma da previdência enviada à Câmara neste final de ano.

Com amplo apoio popular, FHC e Lula bem que tentaram fazer esta reforma no início dos seus governos, mas as emendas resultaram apenas em tímidos remendos aprovados a duras penas.

Na semana passada, a necessidade da aprovação urgente da PEC 55 foi o argumento usado no acordão dos três poderes para salvar Renan Calheiros em nome da governabilidade.

Caso contrário, tinha advertido o presidente Michel Temer, o país iria quebrar.

Renan ficou na presidência do Senado e garante que o plenário vai homologar a PEC até quinta-feira, quando o Congresso entra em recesso, junto com o Judiciário.

Estamos salvos?

Já que uma emenda depende da outra, tão cedo não haverá condições de estancar a crise econômica que se agrava, diante de um cenário político cada vez mais convulsionado.

Tudo conspira contra uma trégua neste final de ano: partidos do Centrão, que não aceitam a reeleição de Rodrigo Maia para a presidência da Câmara, nem a indicação do tucano Antonio Imbassahy para a Secretaria de Governo, já ameaçam iniciar o desembarque da base aliada.

Enquanto se defende como pode das delações da Odebrecht, nem o PMDB de Temer tem condições neste momento de pedir urgência na discussão da reforma que vai atingir aposentadorias e pensões, já combatida por todas as centrais sindicais.

Vai ficando tudo para o próximo ano, no momento em que os três poderes enfrentam o descrédito da população. Política, economia e Justiça virou tudo um bolo só no noticiário, e já não dá para separar as crises que estouram de todo lado ao mesmo tempo.

E até agora vazou o depoimento de apenas um dos 77 delatores da Odebrecht na Lava Jato.

Ou o governo e os partidos não estão lendo o que dizem as pesquisas ou, o que é mais provável, resolveram dar uma banana para a opinião pública.

Diante do impasse institucional que se avizinha, correm o risco de ir parar todos no mesmo buraco sem fundo e sem saída.

Na mesma pesquisa do Datafollha divulgada hoje sobre a emenda dos gastos, que tem o apoio de apenas 24% da população, a avaliação do Congresso Nacional aparece com 58% de ruim/péssimo.

Brasília continua na contra-mão do Brasil.