fila Prova de vida é enfrentar as filas nos bancos

Debaixo da maior chuva, na segunda-feira, lá fui eu ao banco para cumprir minha obrigação cívica e provar ao INSS que estou vivo.

Como só vou ao banco uma vez por ano, exatamente com este objetivo, desta vez levei um susto ao ver o tamanho da fila.

Havia só três caixas funcionando na agência de um grande banco nos Jardins, bairro nobre de São Paulo.

O sonho dos banqueiros de criar um banco sem bancários parece próximo de se realizar.

Cada vez mais digitalizados e informatizados, os nossos bancos não estão mais preparados para receber clientes em carne e osso, ao vivo.

Como agora tudo é feito pela internet, bancários e clientes acabam se estranhando, as filas demoram a andar.

Nem todo mundo, principalmente os clientes mais antigos, como eu, está preparado para estes novos tempos cibernéticos (ainda bem que lá em casa quem cuida dos assuntos bancários é minha mulher).

Neste caso, porém, você tem que ir lá na agência para provar que o coração ainda está batendo e, portanto, continua tendo direito à sua cada vez mais minguada aposentadoria _ se não for um marajá público, é claro.

Tive a impressão de que todos os aposentados do meu bairro tiveram a mesma ideia na mesma hora. Alguns tinham até dificuldade para digitar a senha na maquininha, exigindo muita paciência das funcionárias.

Aqui não vale aquela velha máxima de que todos são inocentes até prova em contrário.

Como muitos mortos continuam recebendo aposentadorias, todos somos obrigados a passar pela prova de honestidade, mas tenho certeza de que esta não é a principal causa do rombo da previdência.

O buraco é mais em baixo _ ou melhor, mais em cima.

Enquanto esperava minha vez na fila (lá não tinha essa modernidade de prioridade para velhinhos), tive uma ideia que poderia evitar estes transtornos para os dois lados do balcão.

Em vez de obrigar todos os aposentados a ir ao banco para provar sua existência, a Previdência Social poderia inverter o jogo: publicar na imprensa a lista completa dos grandes fraudadores e sonegadores da Previdência Social, estes sim, os principais responsáveis pelas contas que nunca fecham .

Nesta publicação, dariam um prazo para estes criminosos, que muitas vezes recolhem o INSS dos empregados e não o depositam nos cofres públicos, para pagar suas dívidas. No mínimo, os faria passar vergonha em público. Que tal?

Garanto que,  se todos pagassem, as aposentadorias poderiam até ser mais generosas e o deficit da previdência muito menor.

Para quem gosta de ver o lado bom em tudo, se a reforma previdenciária for aprovada tal como está, quem sabe no futuro sobrarão poucos aposentados e pensionistas, o que poderá diminuir o tamanho das filas.

Vida que segue, por enquanto.