"Revogação de prisão de neto de ex-senador causa revolta na Paraíba _ Herdeiro do maior grupo da indústria da Paraíba e da afiliada da TV Globo é acusado de atropelar e matar um agente do Detran ao fugir de uma blitz da Lei Seca. Juíza mandou prendê-lo, mas desembargador revogou a prisão às 3 horas da madrugada".

A informação é dos repórteres Leonel Rocha e Joelma Pereira, do site Congresso em Foco, e foi publicada na manhã desta segunda-feira.

O estudante Rodolpho Gonçalves Carlos da Silva é acusado de atropelar e matar o agente Diogo Nascimento Souza, ao fugir de uma blitz da Lei Seca, sem prestar socorro, na madrugada de sexta para sábado, em João Pessoa, na Paraíba.

A prisão preventiva do estudante foi decretada por volta das 20 horas do sábado pela juíza plantonista Andréa Arcoverde Cavalcanti Vaz.

A ordem de prisão foi revogada poucas horas depois, na madrugada de domingo, pelo desembargador Joás de Brito Pereira Filho, que concedeu habeas corpus ao neto do ex-senador e ex-vice governador da Paraiba José Carlos da Silva Junior, alegando não haver motivos para manter o jovem sob custódia.

É mais um belo exemplo da Justiça seletiva implantada no país. Segundo o Congresso em Foco, o mesmo desembargador negou pedido de habeas corpus a um acusado de cometer crime semelhante, em 2013, ao fugir de uma blitz da Lei Seca.

Em nota, os agentes de policiamento de trânsito do Detran da Paraíba cobraram justiça e tratamento isonômico ao acusado, "independente de classe, cor, raça ou condição financeira, como estão sujeitos todos os cidadãos brasileiros".

A decisão de revogar a prisão do estudante acusado, que dirigia um Porsche de cor branca, revoltou o promotor Marinho Mendes Machado, que acusou o desembargador de favorecer o acusado por ser de uma família rica e tradicional.

"Se fosse o filho de uma pessoa comum, o senhor nunca teria acordado às 3 horas da madrugada para soltá-lo, não. E isso quem paga é a instituição que por essas e outras vai ficando sem fé no senhor, pois quem manda é o dinheiro, somente o dinheiro e o poder", escreveu o promotor em nota no Facebook.

Mais tarde, em entrevista à rádio Band News, o desembargador Joás de Brito Pereira Filho disse que a prisão de Rodolpho Carlos era desnecessária porque ele é réu primário e tem bons antecedentes.

O emblemático caso de João Pessoa faz a gente se perguntar: a Justiça brasileira é mesmo igual para todos, como proclama a nossa Constituição? As instituições estão mesmo funcionando como se propaga a toda hora em Brasília?

Por que será que o Judiciário é o poder mais poupado e louvado pela nossa mídia grande?

Vida que segue.