Lava Jato volta com tudo, sem prazo para acabar

O empresário Eike Batista

Logo na primeira semana útil após o recesso de fim de ano, a Operação Lava Jato voltou com tudo nesta quarta-feira ao decidir pela prisão preventiva do empresário Eike Batista e mais oito investigados acusados de pertencer a uma organização criminosa, que envolve políticos do PT, do PSDB e do PMDB.

O juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal da Justiça Federal do Rio, argumentou que havia a "necessidade de estancar imediatamente a atividade criminosa".

A nova operação, chamada de Eficiência, constitui a segunda fase da Operação Calicute, desmembramento da Lava Jato, que já levou para a cadeia o ex-governador Sergio Cabral e membros do seu governo.

Ao mesmo tempo, em novos depoimentos prestados por delatores da Odebrecht, foram citados os nomes de acionistas e altos executivos de empresas concorrentes, como a Andrade Gutierrez e a Camargo Corrêa.

O leque de investigados e denunciados vai-se abrindo em progressão geométrica, multiplicando o número de processos.

Novas operações levam a novas delações, e assim sucessivamente, com a abertura de mais inquéritos em Curitiba, Rio de Janeiro e nos tribunais superiores de Brasília.

Como até hoje o Supremo Tribunal Federal não levou a julgamento nenhum dos políticos com foro privilegiado já denunciados, alguns deles presos em Curitiba e no Rio, o círculo nunca se fecha, só aumenta.

Em consequência, mais empresas fecham todos os dias, aumenta o desemprego e os possíveis investidores se retraem, esperando uma definição do cenário político para saber quem sobrará vivo ao final da história, se é que um dia isso vai acontecer.

O grande problema é que esta história não tem prazo para acabar. Não há limites para as prisões provisórias nem para que as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal sejam concluídas, e a Justiça Federal encerre os processos, condenando ou absolvendo os acusados.

Tem cada vez mais gente se perguntando: "Quando isso vai acabar? Até onde o país aguenta?

Em março, a força-tarefa da Operação Lava Jato vai completar três anos.

Enquanto o país aguarda em suspense as indicações do substituto de Teori Zawaski no Supremo Tribunal Federal e do novo relator da Lava Jato, os políticos gastam seu tempo com a disputa de cadeiras nas eleições para o novo comando da Câmara e do Senado.

E o Executivo, às voltas com as intermináveis rebeliões em presídios, consegue criar nova polêmica em torno da escolha da foto oficial do presidente da República.

Nas redes sociais, os eleitores-internautas se divertem com piadas e memes sobre esta "versão preliminar do retrato oficial", segundo a assessoria de imprensa do governo.

É mesmo importante não perder o bom humor, como fez o respeitado jornalista Luis Costa Pinto, de Brasília, que comentou em seu Facebook:

"Camaradas, no Brasil desses tempos, até foto oficial recebe desmentido. Louvados sejam os que diziam que uma imagem vale mais do que mil palavras. E uma foto desmentida revoga quantas mentiras soltas ao vento? Ou, por outra, dir-se-ia empregando a mesóclise: é tão inseguro que até a foto oficial é interina".

De fato, há meses, espera-se pela nomeação dos titulares do Ministério do Planejamento e da Secretaria de Governo, que continuam sendo ocupados por interinos.

A gente até se esquece deles, mas não faltam candidatos. Para a vaga de Teori, por exemplo, já apareceram os nomes de 15 juristas e se criou até uma bolsa de apostas nos jornais.

Vida que segue.