Por que o sigilo? Isso só favorece os vazamentos

Segunda-feira, 30 de janeiro de 2017. O temido fevereiro está chegando. E a semana já começa quente em Brasília, com uma boa e outra má notícia para os políticos delatados pela Odebrecht na Lava Jato.

Logo cedo, como era esperado, a presidente do STF, ministra Carmen Lúcia, homologou as delações, mas manteve o sigilo dos depoimentos de 77 executivos da empresa.

Por que o sigilo?

O Brasil não tem o direito de conhecer, depois de quase três anos de investigações da Operação Lava Jato, a lista completa dos governantes e parlamentares de todos os partidos envolvidos nas denúncias de corrupção que paralisaram as atividades econômicas?

Por que adiar indefinidamente o desfecho dos processos que se arrastam no STF _ nenhum político até aqui foi levado a julgamento _  e vão se multiplicar após a homologação das delações da Odebrecht?

Como vimos até agora, este procedimento da Justiça só favorece os vazamentos seletivos operados pela mídia para atender a interesses político-partidários.

Tudo vai depender agora de quem será o novo relator em substituição a Teori Zawascki, morto em acidente aéreo durante o recesso, e quem o presidente da República vai indicar para a cadeira dele no STF.

Não há prazos para que isso aconteça e, assim, o cenário continuará indefinido por tempo indeterminado.

O mais provável, neste momento, é que Carmen Lúcia faça um sorteio para a escolha do substituto de Teori, um processo tão aleatório como a disputa de penaltis no futebol, na perfeita comparação de Fernando Gabeira em sua coluna de domingo.

Pode-se imaginar o barulho que isso vai gerar numa Corte dividida em blocos, na qual muitos ministros já definiram suas posições sobre a Lava Jato, e tem até líder do governo na bancada suprema se oferecendo para ocupar o papel de relator.

É dessas definições que vai depender o futuro da Lava Jato _ e, por consequência, o destino de 200 milhões de brasileiros, em meio à crise mais aguda que já vivemos.

Diante desse quadro nebuloso, o Congresso também volta do recesso esta semana para eleger os novos presidentes da Câmara e do Senado, mas ninguém parece muito interessado no assunto. Que diferença vai fazer?

Com Rodrigo Maia praticamente reeleito na Câmara e Eunício Oliveira escalado para substituir Renan Calheiros no Senado, não corremos o menor risco de que algo possa mudar.

Vida que segue.