carnaval Já é Carnaval, e o ano político fica para março

Já tem bloco de carnaval nas ruas de São Paulo (Foto: Agência Estado)

Os foliões já tomaram conta das avenidas e das manchetes. Saem os blocos partidários formados nas eleições do Congresso, que reabriu as portas na semana passada após longo recesso, e entra a turma da alegria com data marcada no calendário.

Assim começa a primeira semana do ano legislativo de 2017, que na prática vai ficar para março. Não importa qual seja a situação do país, esta sempre foi a nossa realidade, desde os tempos em que só havia rádio de válvulas.

É o tempo em que a disputa política dá uma trégua, isto é, se a Lava Jato deixar.

Logo após a sua reeleição, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, anunciou com toda pompa que a comissão da reforma da Previdência será instalada já esta semana.

Pode até ser, mas os trabalhos só começarão de verdade depois que o último bloco passar.

Da mesma forma, os anunciados protestos da oposição contra a reforma da Previdência também deverão ficar para depois do Carnaval, se é que vão acontecer.

Na verdade, o ano político vai começar com o governo praticamente sem oposição partidária no Congresso, pela primeira vez nos últimos muitos anos.

Rachada e sem lideranças no parlamento, o que sobrou da oposição se limita hoje a alguns movimentos sindicais e sociais.

Nas eleições para o comando da Câmara e do Senado, a minoria limitou-se a brigar por algumas migalhas e boquinhas nas mesas diretoras.

O maior desafio do governo será acomodar os interesses da sua imensa base aliada e acalmar o que restou da tropa de choque de Eduardo Cunha, que também se dividiu e tomou uma tunda.

Curiosamente, o que une a todos agora é quebrar o sigilo das delações da Odebrecht, depois que o tucano Aécio Neves se tornou a primeira vítima de vazamento seletivo na atual temporada.

Presidente do principal partido aliado do governo, Aécio foi acusado na semana passada de ter recebido propina gorda na maior obra do seu governo em Minas, mas a denúncia foi abafada e rapidamente sumiu do noticiário.

Em março, quando o carnaval acabar, a Lava Jato completa três anos sem que até agora nenhum político tenha sido levado a julgamento no STF, e o número de inquéritos não para de crescer em progressão geométrica.

Com políticos de todos os grandes partidos sendo investigados em diferentes esquemas de corrupção, se todos os sigilos forem quebrados de uma vez, vai sobrar para todo mundo e ninguém poderá falar nada de ninguém _ e assim mais um ano vai passar, no ritmo da Lava Jato e do STF, até o próximo Carnaval chegar.

Vida que segue.