radauan Só faltou Freire pedir de volta prêmio de Raduan

Roberto Freire, ministro da cultura, entrega o prêmio Camões ao escritor Raduan Nassar (Foto: TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO CONTEÚDO)

Enfurecido com as duras críticas feitas ao governo federal, o ministro da Cultura, Roberto Freire, só faltou pedir de volta o Prêmio Camões, a maior honraria em língua portuguesa, que acabara de entregar ao escritor Raduan Nassar, autor de "Lavoura Arcaica", na manhã deste sábado, em São Paulo.

Como o prêmio de 100 mil euros (cerca de 330 mil reais) é concedido pelos governos do Brasil e de Portugal, ficou parecendo que Freire estava prestando um favor ao mal agradecido Raduan, num espetáculo deprimente encenado diante do embaixador português Jorge Cabral.

Vaiado pela platéia aos gritos de "Fora, Temer", o suplente de deputado federal pelo PPS, que assumiu o Ministério da Cultura após a crise de Geddel Vieira Lima, encurtou seu discurso improvisado, e saiu batendo boca com outros escritores.

O Ministério da Cultura inverteu a ordem habitual da cerimônia e fez Raduan Nassar ler seu discurso de apenas duas páginas antes do ministro, que resolveu responder com palavras duras ao homenageado.

"É um adversário recebendo um prêmio de um governo que ele considera ilegítimo. Quem dá prêmio a adversário político não é a ditadura!".

Depois de citar Alexandre de Moraes, o ministro indicado para a vaga de Teori Zavascki, chamado de "figura exótica", acusando-o de responsável pela invasão de escolas ocupadas pelos estudantes e pela "violência contra a oposição democrática", Raduan encerrou seu discurso com críticas ao Ministério Público e ao Supremo Tribunal Federal.

"O golpe estava consumado. Não há como ficar calado".

Em nota divulgada após a cerimonia, o Ministério da Cultura afirmou que "o agraciado foi respeitado por todos durante sua fala, ao contrário do que ocorreu com o ministro, interrompido de forma agressiva", e responsabilizou o PT pelos protestos. "Mais uma vez, vimos a prática do Partido dos Trabalhadores em aparelhar órgãos públicos e organizar ataques para tentar desestabilizar o processo democrático".

Até em dia de festa literária, o Fla-Flu que dividiu o país não dá uma trégua.