telemarketing A invasão das tele gravações inferniza clientes

Central de telemarketing (Foto: Reprodução/Record TV)

Em tempo (atualizado às 12h43):

para quem quiser se livrar do recebimento de ligações do telemarketing, basta clicar no endereço do Procon fornecido pelo leitor Candido Cesar:

htpp://www.procon.sp.gov.br/BloqueioTelef/index.asp

Já tentei e deu certo.

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"Minha filha, você sabe que dia é hoje?", perguntei à mocinha do telemarketing que me ligou oferecendo qualquer coisa numa véspera de Natal de alguns anos atrás.

Para ela, não fazia a menor diferença porque o importante era cumprir a meta de ligações qualquer que fosse o dia para garantir o salário no final do mês.

Apresentando-se como "consultores de vendas" para apresentar uma "promoção especial" a você, os batalhões de operadores de telemarketing, em sua maioria jovens em busca do primeiro  emprego, encontravam ali um jeito de ganhar a vida, mesmo sabendo que do outro lado da linha ouviriam muitos palavrões, tamanha era a insistência.

Planos de saúde, assinaturas de revistas e jornais, serviços bancários e de telefonia fixa ou móvel, vendia-se de tudo a qualquer dia, qualquer hora, para quem não estava interessado em comprar nada.

"Por favor, estou no meio de um trabalho, não tenho interesse, não me liguem mais", implorava aos insistentes vendedores, que se multiplicaram como mosquito de dengue no verão após a privatização das teles, no final dos anos 1990.

Foi nessa época que surgiram expressões como "telegangue" e "teleprivataria", imortalizadas e utilizadas até hoje, por bons motivos, pelo respeitado jornalista Elio Gaspari, que acompanhou desde o início as tenebrosas transações das novas companhias responsáveis por serviços caros e ruins.

Para quem trabalha em casa, já era um transtorno ter que dispensar os operadores de telemarketing, mas pelo menos estas empresas, eu pensava comigo, estavam gerando milhares de empregos num tempo em que começavam a faltar na praça.

Agora, ficou muito pior, porque os operadores foram dispensados e em seu lugar invadiram nossas casas as malditas tele-gravações.

O caro leitor e a cara leitora certamente sabem do que estou falando e já devem ter sido vítimas desta praga, ao largar o que estavam fazendo e correr ao telefone para atender uma ligação.

"Alô, tudo bem?, estou aqui para te oferecer...", vai falando a voz maviosa num tom de velho amigo.

Se bem me lembro, isso começou em anos recentes com Moacir Franco, de quem sempre fui fã, desde os tempos em que os telefones eram todos fixos, pesados e pretos, uma jóia rara a que poucos privilegiados tinham acesso, e ninguém nunca tinha ouvido falar em telemarketing.

O veterano cantor e compositor oferecia uma vitamina milagrosa para idosos, e logo outros artistas do gênero com vozes conhecidas entraram na onda vendendo remédios em geral.

Nos últimos dias, meu telefone começou a ser atacado por uma gravação de empresa de cobrança procurando algum devedor. "Se este telefone pertence a fulano de tal, entre em contato com...".

Não devo nada a ninguém e não conheço o fulano, mas o que devo fazer para que parem de me ligar várias vezes ao dia com a mesma gravação?

Quem deu os números dos nossos telefones para estas empresas? Devem ser as mesmas teles que ganham fortunas com isso.

Basta pagar cachê a um artista ou atleta conhecido para gravar uma única vez, dispensando os operadores de telemarketing que vendiam seu peixe ao vivo.

Ninguém fiscaliza isso, ninguém pode tomar uma providência contra essa invasão de domicílio e privacidade? Tem jeito de bloquear estas ligações?

Para que servem as agências reguladoras? Só para autorizar aumentos nas tarifas?

Se você também é vítima desta pandemia das tele-gravações e tem uma solução, escreva para o Balaio, por favor.