fachin Fachin demora e Lista do Janot continua vazando

O ministro Edson Fachin (Foto: Carlos Humberto/SCO/STF)

Em tempo (atualizado s 16h30):

o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, acaba de receber os 83 pedidos de abertura de inquérito contra parlamentares e ministros feitos com base nas delações da Odebrecht. 

Fachin agora deverá levar uma semana para estudar os pedidos e quebrar o sigilo com a divulgação dos nomes dos envolvidos e as acusações feitas contra eles. 

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Algo estranho deve estar acontecendo no curto caminho que separa as sedes da Procuradoria Geral da República e do Supremo Tribunal Federal, com escalas no Palácio do Planalto e no Congresso Nacional.

Enquanto a burocracia demora, os vazamentos na imprensa continuam.

Faz uma semana que o procurador-geral Rodrigo Janot encaminhou ao ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, o pedido de abertura de inquéritos sobre políticos denunciados na megadelação da Odebrecht.

Após a inédita, e até hoje não explicada,  "entrevista coletiva em off" da semana passada, na qual procuradores da República entregaram a jornalistas convidados os primeiros nomes da lista, os vazamentos não pararam mais.

A cada dia, cresce na imprensa a relação de parlamentares, ministros e governadores envolvidos com o Departamento de Propinas da pródiga empreiteira, que teriam recebido pagamentos legais ou ilegais em troca de benefícios para a Odebrecht.

Por que será que Edson Fachin não quebra logo o sigilo e divulga de uma vez por todas a íntegra da lista dos políticos delatados pelos executivos da Odebrecht, com os respectivos ilícitos que são atribuídos a cada um dos investigados?

Se demorar muito, o ministro relator não terá mais muitas novidades a revelar.

Nesta terça-feira, o jornal O Globo publica um novo pacote de vazamentos da misteriosa lista, que ninguém confirma nem desmente, envolvendo o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o senador Aécio Neves, e os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco.

* Entre os pedidos de abertura de inquérito contra mais de dez governadores em exercício enviados ao Superior Tribunal de Justiça, está o caso de Geraldo Alckmin. "O pedido sobre o tucano estaria relacionado a repasses que a Odebrecht fez para as campanhas dele ao governo governo de São Paulo, em 2010, e também em 2014. Segundo um dos delatores, pelo menos um dos pagamentos teve como intermediário Adhemar Ribeiro, cunhado do governador", relata o jornal.

* Segundo O Globo, "de todos os presidenciáveis que aparecem na nova lista de Janot, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) deverá ser o que mais precisará dar esclarecimentos à Justiça. Em depoimento no início do mês no Tribunal Superior Eleitoral, o ex-presidente da Odebrecht Infrestrutura Benedicto Júnior disse que, em 2014, repassou dinheiro de caixa dois a políticos do PSDB a pedido de Aécio. Os pedidos somariam R$ 9 milhões".

* Contra os ministros Eliseu Padilha, da Casa Civil, e Moreira Franco da Secretaria Geral, há vários pedidos de inquérito. "Padilha e Moreira são suspeitos de receber propina da Odebrecht à frente da Aviação Civil - Construtora teria repassado dinheiro durante processo de concessão de aeroportos", informa o jornal, referindo-se ao período em que ambos exerceram o cargo de ministro da Aviação Civil no governo de Dilma Rousseff. Hoje, o mesmo Moreira Franco cuida da privatização de aeroportos no governo de Michel Temer.

No ritmo que vai, não há o menor risco dos políticos denunciados na Lava Jato serem julgados no STF antes das eleições de 2018, quiçá nem de 2022.

Por isso, eles não querem abrir mão do foro privilegiado e defendem uma reforma política para zerar o jogo e apagar o passado.

Vida que segue.