Doria acelera para 2018 e sai atropelando

João Doria discursa durante evento da prefeitura de SP nesta quarta (29) (Foto: Futura Press/Folhapress)

Vitorioso no primeiro turno no ano passado em sua primeira disputa para cargo eletivo, montado no bordão "Acelera, São Paulo", João Doria não desceu mais do palanque, pisou fundo e continua em campanha, atropelando sem dó quem encontra pela frente.

Às vésperas de completar os primeiros 100 dias como prefeito de São Paulo, o empresário de eventos e apresentador de TV é hoje o político mais badalado do país, enquanto os velhos caciques afundam na Lava Jato. Só dá ele.

"Vai procurar a sua turma lá em Curitiba", reagiu Doria quando alguém o chamou de "golpista" durante a entrega de moradias populares do programa Minha Casa Minha Vida, nesta quarta-feira, na zona sul.

Sempre de dedo em riste, Doria retrucou que "golpista é quem rouba dinheiro público, golpista é quem rouba o povo" e, no final do discurso, pediu uma "salva de palmas para o Brasil", como se já estivesse em campanha.

Diante de um impassível governador Geraldo Alckmin, com seu sorriso de Monalisa, o prefeito largou na frente dos outros tucanos para a corrida presidencial do ano que vem.

Até aliados do senador mineiro Aécio Neves já o procuraram para conversar. Como Aécio cai mais e Doria sobe a cada nova pesquisa, os conformados mineiros aceitariam uma chapa puro sangue com o senador Antonio Anastasia de vice.

Por mais que João Doria diga que seu candidato é Alckmin, está todo mundo de olho no prefeito paulistano como o nome com maior chance para enfrentar Lula.

O anti-petismo é a principal bandeira de Doria desde a campanha do ano passado e ele não perde uma chance de atacar o ex-presidente, como fez já na noite em que comemorou a vitória em outubro.

Apresentando-se como "gestor apolítico", o prefeito é, acima de tudo, um grande marqueteiro dele mesmo _ e, até aqui, sua estratégia de acelerar sempre está dando certo.

Bateu de frente até com o grande cacique tucano FHC, que torceu o nariz para sua candidatura a prefeito e agora desdenhou da sua prematura decolagem presidencial, mas já admite pensar no assunto.

Outro presidenciável tucano, o senador José Serra, está achando até bom porque, com Doria alçando voos mais altos, a rota ficaria livre para o Palácio dos Bandeirantes, que é o que realmente está querendo, depois das delações da Odebrecht.

Tudo vai depender, é claro, do desempenho do prefeito no comando da maior cidade do país, e ainda é muito cedo para fazer qualquer avaliação.

Além de posar de gari, jardineiro e cadeirante, e apagar pichações com as próprias mãos, Doria acelerou a marcação de consultas e exames no serviço público em parceria com a rede privada.

Outra marca é o trabalho de "zeladoria urbana" do programa "Cidade Linda", que apareceu até em placas de publicidade nos últimos jogos da seleção brasileira.

Pelo menos na área central da cidade, dá para notar os primeiros resultados desse trabalho: os espaços públicos estão mais limpos e bem cuidados.

Conta a favor de Doria também o ostensivo apoio da mídia e do empresariado paulista que há tempos vinha procurando um candidato de confiança capaz de enfrentar a hegemonia do PT nas últimas quatro eleições presidenciais.

Dinheiro, certamente, não vai faltar para uma possível campanha dele em 2018, embora tenha duas vezes jurado de pés juntos no Jornal da Record News que cumprirá até o fim seu mandato de quatro anos na Prefeitura.

Nem só de boas notícias, porém, vive o prefeito. Esta semana foi cobrada dele uma dívida de R$ 91 mil de IPTU, referente à sua mansão no Jardim Europa, que Doria questionava na Justiça desde 2002.

Rápido no gatilho, nem discutiu: pagou a dívida antes que virasse um escândalo.

Quem vai decidir seu destino, e ele sabe disso, são as próximas pesquisas.

Uma coisa é certa: se o seu nome continuar crescendo e ganhando apoio na opinião pública, num momento de profundo desencanto com a política e os políticos, circunstância que joga a favor dele, não haverá tucano capaz de impedir sua candidatura presidencial.

Voto e dinheiro, como sabemos, ninguém rasga.