Brasil viveu um dia atípico sem nova bomba

O ministro Roberto Freire (Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados)

Pode ter sido apenas a calmaria que precede as grandes tempestades, mas esta quarta-feira foi um dia atípico na guerra sem fim no front político, dedicado apenas a almoços e jantares do poder. Cuidado, vão todos engordar.

Não aconteceu nada de importante nas últimas 24 horas, não estourou nenhuma nova bomba nas manchetes, agora reservadas à guerra química na Síria.

No news, good news, comentou um amigo no final da tarde, e ele não deixa de ter razão, depois de tantos sustos e desassossegos nos últimos dias, semanas, meses.

Nem atualizei o Balaio ontem, algo também raro, por absoluta falta de novidades.

Sem soluções à vista no horizonte próximo, vamos empurrando tudo com a barriga: as reformas, o julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE, a divulgação da nova Lista do Janot e todas aquelas pendencias do ano passado.

Na pauta para esta quinta-feira, está outra notícia enguiçada há tempos: a ajuda federal aos Estados quebrados pode finalmente ser votada ainda hoje na Câmara.

Os governadores do Rio, Minas e Rio de Janeiro ainda tentam, pela terceira vez, fazer alterações para afrouxar as contrapartidas no texto do projeto de lei que cria o Regime de Renegociação Fiscal dos Estados e do Distrito Federal, o pomposo nome dado ao socorro financeiro para caloteiros e inadimplentes.

Querem deixar de pagar por três anos as dívidas com Banco do Brasil e BNDES, resistem a privatizar empresas estatais e se recusam a congelar os salários dos servidores, exigências do governo federal para liberar os bilhões que podem evitar ou pelo menos postergar a falência dos Estados.

Ou seja, querem só os bônus, sem os ônus.

Com Rodrigo Janot e Gilmar Mendes em viagens ao exterior _ como gostam de viajar! _ a PGR e o TSE entram em compasso de espera, o que talvez explique a repentina calmaria.

Claro que, enquanto escrevo, o cenário já poderá ter mais uma vez mudado, mas é o que temos para o momento.

As notícias enguiçadas (criação imortal do colega Alfredo Ribeiro, o Tutty Vasques) vão e voltam como a minha gripe, que não vai embora nunca, apesar de ter tomado vacina.

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Cultura de Freire

transforma-se em 

"célula" do PPS

Camaradas derrotados nas últimas eleições estão tomando conta de cargos de confiança do Ministério da Cultura, agora sob a nova administração do pernambucano Roberto Freire, suplente de deputado federal pelo PPS de São Paulo.

A revelação foi feita em reportagem de Rodolfo Viana publicada pela "Folha" desta quinta-feira: "São 18 correligionários atuando em assessorias, secretarias, diretorias, entidades vinculadas e representações regionais".

No tempo em que o PPS (Partido Popular Socialista) ainda se chamava PCB (Partido Comunista Brasileiro), o partido de Roberto Freire se notabilizou por montar "células" nos órgãos públicos sob o pretexto de "combater a ditadura por dentro".

Pouco depois de assumir o cargo, Freire declarou em entrevista à "Veja": "Lamentavelmente, um ministério que teria muito a dar ao país ficou voltado para atender a interesses de facções políticas", fazendo  referência ao "projeto de poder" da administração anterior do PT e PC do B (uma dissidência histórica do antigo PCB) no Ministério da Cultura.

Não há mais ditadura nem comunismo no Brasil, mas pelo jeito a prática de aparelhamento do PCB/PPS continua a mesma, só que agora por "motivos republicanos", segundo a nota enviada por Freire ao jornal.

"A escolha dos nomes para a equipe se dá por motivos republicanos. Nossa preocupação é com a competência, a experiência, a idoneidade e a conduta ilibada dos funcionários que aqui atuam".

Segundo a reportagem, "nomes alocados em funções técnicas têm pouca ou nenhuma experiência na área".

Em tempos de pós-verdade, o republicano Roberto Freire parece adotar a tese do "joio e do trigo" lançada pelo ex-presidente FHC, quer dizer: o que vale para os outros não vale para nós.

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João Doria no JRN

Ainda está em tempo de você mandar suas perguntas para a entrevista que Herodoto Barbeiro, Nirlando Beirão e eu vamos fazer com o prefeito João Doria, às vésperas de completar 100 dias no cargo, no Jornal da Record News, que vai ao ar às 9 da noite desta sexta-feira.

O que você gostaria de saber? As perguntas podem ser enviadas para a área de comentários deste blog ou para o zap-zap do JRN: (011) 9 4212 8782.

Vida que segue.