Previdência sobe no telhado por falta de votos

Michel Temer anda com os cabelos em pé com a Reforma da Previdência (Foto: Alan Marques/Folhapress)

A reforma da Previdência, carro-chefe e pau da barraca do governo de Michel Temer, subiu no telhado e não tem prazo para sair de lá.

É esta a conclusão a que chegaram ministros e líderes da base aliada, após mais três horas de reunião no Palácio do Jaburu convocada pelo presidente em pleno domingo do feriadão.

Os últimos cálculos dos estrategistas do governo dão conta de que ainda faltam pelo menos 30 votos para ser alcançada a maioria de dois terços (308 votos) na votação da emenda constitucional.

A situação ficou ainda mais dramática, depois que o governo fez todas as concessões possíveis para manter os privilégios das corporações, desidratando bastante o projeto original e, mesmo assim, não ter conseguido reverter o placar na Câmara.

"Não há espaço para mais concessões", anunciou o líder do governo, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), falando em nome de Temer ao final da reunião dominical.

Na mesma linha, o líder da Maioria na Casa, deputado  Lelo Coimbra (PMDB-ES), disse que o presidente considera a atual versão do texto, com as modificações introduzidas pelas emendas dos deputados, como "produto final das negociações".

Diante deste impasse, deverá ser adiada a votação do relatório da Comissão Especial marcada para o dia 2 de maio.

Dada a importância conferida pela própria equipe econômica à aprovação da reforma da Previdência, para evitar o colapso das contas públicas, o governo não pode correr o risco de perder mais uma votação, como aconteceu na semana passada, com o pedido de urgência para a reforma trabalhista.

O governo conseguiu reverter a derrota no dia seguinte, e a votação deve acontecer esta semana, mas o susto foi grande e acendeu todos os sinais de alerta pois a fidelidade da base aliada vem caindo desde o final do ano passado, segundo levantamento do "Basômetro", ferramenta interativa do jornal O Estado de São Paulo.

Em julho do ano passado, pouco após a posse de Temer, a média do apoio ao novo governo chegou a 91% e, este mês, o índice caiu para 79% _ ainda alto, mas dando cada vez menos segurança nas votações.

Por isso, o presidente marcou nova reunião para esta segunda-feira, desta vez com os ministros que têm influência nas bancadas governistas, para que pressionem os deputados dos seus partidos.

Lembram-se do TSE?

Na interminável lista de temas pendentes de decisões em Brasília, alguns desde o ano passado, sumiu de cena o julgamento da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral. Ninguém falou mais nisso.

No início do mês, o julgamento foi suspenso logo na primeira sessão, em que o ministro Herman Benjamim apresentaria seu relatório, para que fossem ouvidas novas testemunhas.

Em seguida, o presidente do TSE, Gilmar Mendes, viajou para o exterior. A sua volta está prevista para esta semana, mas a retomada do julgamento só deve acontecer em maio. Ainda não há data marcada.

Na agenda do tribunal, só está previsto o depoimento dos marqueteiros João Santana e Monica Moura, que deverão ser ouvidos ainda hoje pelo ministro Herman Benjamim.

Vida que segue, sem muita pressa.