romero1 Farra segue em Brasília: R$ 3,5 bi para campanhas

O senador Romero Jucá (Foto: EBC)

Parece que eles vivem em outro mundo, completamente alienados da realidade.

Discretamente, como convém, no escurinho de um gabinete longe da imprensa, os presidentes de sete partidos aliados do governo fecharam um pacto nesta quarta-feira para sangrar ainda mais o Tesouro Nacional.

Sob o pretexto de promover uma "mini reforma política", os cardeais do PMDB, PSDB, DEM, PSB, PP, PR, PSD e PTB resolveram aprovar em regime de esforço concentrado um fundo de financiamento público para a campanha eleitoral de 2018.

Custo do butim multipartidário: R$ 3,5 bilhões. Segundo eles, é a metade do que foi gasto oficialmente na campanha de 2014 financiada pelas empresas denunciadas na Lava Jato. E o ajuste fiscal que se dane.

Como agora o financiamento privado de campanhas foi proibido pelo STF e secaram as fontes dos propinodutos de Odebrecht, JBS e companhias belas, a turma decidiu que a partir de agora quem vai bancar a farra é o contribuinte, sem intermediários, sacando o dinheiro direto dos impostos que você paga.

Só ficamos sabendo disso graças à indiscreta repórter Maria Lima, de O Globo, que publicou a matéria "Sete partidos fecham questão para aprovar fundo de R$ 3,5 bilhões para financiar campanhas" no portal do jornal, às 19h24 de ontem.

Não deu manchete em lugar nenhum, nem li qualquer comentário sobre o assunto em outras mídias.

Com tantos bilhões circulando em malas e mochilas por aí, devem ter pensado, isso é dinheiro de troco para garantir o funcionamento da democracia brasileira.

Mas teve gente que achou pouco. "Dirigentes de partidos querem ampliar para R$ 4 bilhões o valor do fundo a ser criado para o financiamento de campanhas em 2018", informa a coluna Painel na Folha. Por que não mais?

É bom lembrar que a criação dessa nova gazua não elimina as prestações mensais do Fundo Partidário, que este ano foi elevado para R$ 900 milhões.

Vejam quem participou da reunião promovida no gabinete do presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissati: Gilberto Kassab, ministro das Comunicações, presidente do PSD; Romero Jucá, presidente do PMDB; senador Ciro Nogueira, presidente do PP; senador José Agripino Maia, presidente do DEM; Carlos Siqueira, presidente do PSB e o senador suplente Antonio Carlos Rodrigues, do PR.

Eles têm pressa: querem votar a proposta em regime de urgência ainda no primeiro semestre no Senado.

Adivinhe: quem veio a público para justificar a operação? Romero Jucá, ele mesmo, o porta-voz do "estancar a sangria" da Lava Jato. Quem mais poderia ser?

"Um fundo eleitoral será criado e tudo tem que ser votado e publicado até o final de setembro por causa da anualidade da legislação eleitoral. Vamos criar um sistema que seja da compreensão da população. Não podemos continuar como estamos. O sistema atual de financiamento de campanha caiu por terra. Tem que ser recolocado algo muito transparente, sistematizado, com menos gastos, de uma forma que o povo entenda", explicou Jucá. Entendeu?

O anfitrião Tasso Jereissati desconfia que não vai pegar bem na opinião pública, mas disse que não tem outro jeito, e fez uma ameaça.

"Sei que vai ter uma rejeição enorme da população. Mas sem isso não vai ter eleição no ano que vem".

Para disfarçar, incluíram na "mini reforma política" a cláusula de barreira e o fim das coligações proporcionais, mas o que eles querem mesmo é grana.

Quem tem tanto dinheiro sobrando?

Já repararam como bancos públicos e privados e butiques de investimentos dominam os intervalos comerciais cada um oferecendo mais vantagens do que o outro para captar o dinheiro que está sobrando na praça?

Fico me perguntando: a quem eles se dirigem, qual seu público alvo, neste país de 14 milhões de desempregados, em que a maioria não sabe como fazer para chegar ao fim do mês?

Chega a ser até ofensivo para quem ainda está empregado e vive de salário.

Vida que segue.