arraial Sao pedro recife06102014 0009 1024x682 Quando nada parece capaz de nos surpreender

Deixo de lado os jornais e o noticiário online, e me pergunto: o que falta ainda acontecer para nos tirar deste estado catatônico em que continuamos vivos, mas indiferentes ao mundo exterior?

Parece que nada mais é capaz de nos surpreender, provocar uma reação, pelo menos levar um susto, dizer para nós mesmos: agora chega, não dá mais, precisamos fazer alguma coisa. O quê?

Tanto no plano individual como no coletivo, ficamos girando em círculo, perdemos o horizonte. Há uma sensação generalizada de perplexidade, apatia e conformismo como nunca havia visto antes.

Viramos uma grande manada de 200 milhões de almas perdidas em seu labirinto, caminhando dia após dia rumo ao desconhecido ou apenas tocando o barco, sem saber para onde.

Como podemos continuar vivendo assim?

Por mais que nos digam que não há mal que sempre dure, a realidade é que já está demorando demais para tudo isto acabar e cada vez piora mais.

Em nenhum lugar da sociedade vejo surgir alguma ideia nova, uma proposta qualquer, um alento que seja para sairmos deste círculo de ferro jurídico-político-policial de denúncias e delações sem fim.

Sabemos todos o que não queremos mais. Mas onde encontrar um projeto nacional, e não apenas um projeto de poder, para colocar no lugar, e líderes capazes de implantá-lo, como aconteceu agora na França e em tantos outros países ao longo da História nos momentos de crise profunda?

Até onde minha vista alcança, não consigo enxergar nem uma coisa nem outra.

Fiquei pensando nisso tudo ao ver a meninada cantando e dançando no colégio dos meus netos, apresentando-se na festa junina da tarde de sábado, aqueles professores todos em volta, profissionais dedicados, orgulhosos com o próprio trabalho baseado na cultura brasileira, tão rica e bela.

Qual será o futuro deles se não lhes dermos pelo menos uma esperança de dias melhores, apontando novos caminhos?

Onde foi parar a nossa criatividade, a capacidade de superação para dar a volta por cima, a ousadia para superar dificuldades?

Há quanto tempo não somos surpreendidos por um movimento novo na sociedade _  na literatura, na publicidade, no jornalismo, na música, no teatro, no cinema, na televisão, em todas as áreas da cultura brasileira?

Me dá a impressão de que hoje, diante da mesmice e do marasmo, tudo é produzido por uma mesma pessoa, que ligou o piloto automático. Perdeu a graça, como se já tivéssemos lido e visto tudo aquilo antes.

Em tempo: se você tiver ou souber de alguma proposta nova e boa, ou algum movimento se formando em qualquer área, não se acanhe, mande pra nós. 

Vida que segue.