Aconteceram tantas coisas importantes nas últimas horas sobre as quais eu poderia comentar (ver link para o Jornal da Record News no final deste texto), mas não me sai da cabeça a imagem da felicidade brilhando nos olhos da menina que não vê.

Sabe quando você não espera ver mais nada de bonito?

De repente, no meio de um programa de esportes na hora do almoço de terça-feira, aparece a figura encantada de uma menina cega de 11 anos ao lado de Roger, jogador de futebol do Botafogo carioca, "vendo" pela primeira vez um gol do pai.

"Eu acho que é o dia mais feliz da minha vida. Eu consegui saber como é um gol do papai. Você não tem noção de como é isso para mim", diz a menina Giulia, a "Tatá", para o emocionado narrador esportivo Luís Roberto, da TV Globo, que não consegue nem falar para não chorar.

Foi Luís Roberto o responsável pelo milagre, ao levar para a menina um painel em alto relevo que ela pudesse tocar para sentir o gol do pai no jogo contra o Sport do Recife, narrado por ele, enquanto Roger ia-lhe explicando como foi a jogada.

Nem roteiro de filme de ficção faria melhor. Passando suas mãozinhas no quadro, a alegria da menina foi num crescendo como se estivesse comemorando um gol de final da Copa do Mundo.

"Estou muito feliz de sentir um gol do meu pai. Sempre acompanho os jogos e comemoro os gols pela televisão, mesmo sem saber como eles são feitos. Vocês conseguem entender o que fizeram? Gente, eu nunca tive essa noção... Eu queria ter essa noção algum dia e vocês conseguiram trazer. Pai, o gol foi lindo! Foi, não foi? Agora eu consegui", festeja a menina que nasceu sem ver nada, mas a família só descobriu três meses depois, quando ela foi diagnosticada com uma deficiência visual rara.

Chegaram a levá-la até a China para fazer um tratamento. "Giulia ficou em tratamento por 45 dias, mas não foi o que esperávamos. Começamos a entender que esse era o plano de Deus para a nossa vida. Era ter a Giulia do jeito que Deus nos mandou. Fomos escolhidos para ter uma filha tão especial e querida. Quero vê-la na Paraolimpíada. Faz natação muito bem. O esporte quebra barreiras, agrega, anima... Vivo sonhando por ela. A Giulia não tem limites", conta o emocionado pai.

Mas as maiores emoções ainda estavam por acontecer. Depois que a reportagem passou pela primeira vez na televisão, na semana passada, a história agitou as redes sociais da torcida do clube. E começaram os planos para levar Giulia ao estádio na partida do Botafogo contra o Avaí, na última segunda-feira.

Quando Roger entrou em campo com Giulia, o estádio todo ficou de pé gritando o nome dela. Depois a menina foi para a arquibancada sob aplausos para acompanhar o jogo ao lado da mãe, Elizabeth.

Roger desta vez não marcou gol, e o Botafogo perdeu por 2 a 0, mas nunca se viu uma torcedora tão feliz como a menina que não via.

Viva Giulia, uma menina feliz!

Em tempo: sobre os últimos acontecimentos na política que virou caso de polícia, veja abaixo o vídeo do JRN com Heródoto Barbeiro na terça-feira.