O que podemos esperar desta semana em Brasília?

A agenda política marca para esta segunda-feira a visita do presidente do Paraguai e, na terça, a Câmara deve tentar mais uma vez votar alguma coisa da chamada "reforma política".

Por enquanto, é o que temos, mas sempre há os imprevistos de novas denúncias e delações que podem agitar o cenário.

Sem lideranças, com os partidos em processo de decomposição, sem consenso mínimo sobre proposta alguma, pode acontecer qualquer coisa _ ou nada, para deixar tudo como está e ver o que acontece.

Basta lembrar que o relator Vicente Cândido (PT-SP) é um deputado inexpressivo do baixo clero da esquerda, membro da "bancada da bola" ligada à CBF desde os tempos de Ricardo Teixeira, que é contestado dentro do seu próprio partido.

A cada dia Cândido aparece com uma novidade, nenhuma delas de interesse do eleitor, mas apenas dos atuais parlamentares em busca da reeleição.

É tanta mudança que não dá para entender o que ele propõe em entrevistas nos corredores, mas da semana passada para cá ficaram pendentes gambiarras como "distritão light", "distrital misto" e "semi-parlamentarismo", já para 2018 ou só em 2022.

O que esta turma do pudim quer mesmo é aprovar logo o tal "Fundo de Financiamento da Democracia", quer dizer, dinheiro público para bancar as campanhas eleitorais do ano que vem já que as doações de empresas foram proibidas.

Diante da forte reação contrária à verba de R$ 3,6 bilhões discutida na comissão especial, candidamente o relator aceitou dar um desconto, reduzindo a bolada para R$ 2 bilhões, como se isso fosse pouco num país que não consegue fechar suas contas.

São uns pândegos, fazendo o jogo do "se colar, colou", um verdadeiro escárnio.

Nem se preocupam mais em disfarçar, como se pode constatar por esta republicana declaração do deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), presidente da comissão especial da reforma:

"A reforma política só está sendo feita por causa do financiamento. Foi por isso que nós começamos a discutir sistema eleitoral, voto em lista, distritão. Agora é tudo para aprovar o fundo porque sem ele não tem dinheiro. Aprovar uma reforma política para o ano seguinte é impossível porque o povo aqui faz de tudo, menos passar a faca no próprio pescoço".

Que "o povo aqui faz de tudo" já sabíamos, e ninguém está esperando um suicídio coletivo.

Ao contrário: o principal objetivo deles é unicamente manter o mandato e o foro privilegiado para evitar a guilhotina da Lava Jato.

Por mais que tudo pareça uma maluquice, ali ninguém rasga dinheiro nem voto.