professora Agressão contra professora é sinal dos tempos

A professora Marcia Friggi, que foi agredida enquanto dava aula (Foto: Reprodução/Facebook)

Nada me chocou mais neste agitado começo de semana do que a imagem da professora ensanguentada, depois de ser brutalmente espancada por um aluno de 15 anos, numa escola de Indaial, em Santa Catarina.

Este é o mais fiel retrato da anomia social em que vivemos com a violência absolutamente fora de controle até nas salas de aula.

Tristes tempos, pobre país em que uma professora de 52 anos é agredida ao exercer seu ofício de educar e ninguém reage, como se isso fosse algo normal.

Não deu manchete na imprensa nem discurso no Congresso Nacional, líderes do governo e da oposição não se manifestaram, preocupados que estão apenas com a "reforma política".

A secretaria municipal de Educação de Indaial limitou-se a informar que está "apurando o ocorrido".

"O ocorrido?" É esse o nome que se dá a um crime praticado de forma covarde contra uma senhora indefesa?

Tão grave quanto o fato em si é a omissão das autoridades responsáveis pela Educação brasileira, tão vilipendiada, e de resto de toda a sociedade, inerte diante desta violência inominável.

Se não fosse a própria professora Marcia Friggi contar e publicar fotos em seu Facebook não ficaríamos sabendo o que aconteceu.

Leiam o pungente depoimento de uma brasileira que não se acovardou e promete dedicar sua vida a defender os outros professores:

"Estou dilacerada. Aconteceu assim. Ele estava com o livro sobre as pernas e eu pedi:

_ Coloque o livro sobre a mesa, por favor.

_ Eu coloco o livro onde eu bem quiser.

_ As coisas não são assim.

_ Ahhhhh, vai se foder.

_ Retire-se, por favor.

Ele levantou para sair, mas no caminho jogou o livro na minha cabeça. Não me feriu, mas poderia. Na direção, eu contei o que tinha acontecido.Ele retrucou que eu menti e eu tentei dizer:

_ Como, menti? A sala toda viu... Não deu tempo para mais nada.

Ele, um menino forte de 15 anos, começou a me agredir. Foi muito rápido, não tive tempo ou possibilidade de defesa.  O último soco me jogou na parede.

Estou dilacerada por ter sido agredida fisicamente. Estou dilacerada por saber que não sou a única, talvez não seja a última.

Estou dilacerada por já ter sofrido agressão verbal, por ver meus colegas sofrerem.

Estou dilacerada porque me sinto em desamparo, como estão desamparados todos os professores brasileiros.

Estamos, há anos, sendo colocados em condição de desamparo pelos governos.

A sociedade nos desamparou. A vida...

Lembrei dos professores do Paraná que foram massacrados pela polícia, não teve como não lembrar.

Estou dilacerada pelos meus bons alunos, que são muitos e não merecem a nossa ausência.

Estou dilacerada, mas eu me recupero e vou dedicar a minha vida para que nenhum professor brasileiro passe por isso nunca mais".