serra Fato ou boato: será verdade que STF investigará Serra?

José Serra será mesmo investigado dessa vez? (Foto: Valter Campanato/ABr)

A notícia correu discretamente no começo da noite de segunda-feira, mas eu fiquei na dúvida: será verdade?

Virou moda na grande imprensa nos últimos tempos noticiar um boato e perguntar se de fato aquilo aconteceu.

Sempre atento às novidades, quando vi a notícia de que o Supremo Tribunal Federal autorizou a abertura de investigação contra José Serra fiquei desconfiado da sua veracidade.

Seria um fato inédito em três anos de Operação Lava Jato, após centenas de delações e denúncias contra políticos de todas as latitudes.

Afinal, nenhum tucano de bico grande foi até hoje levado às barras dos tribunais. Nenhum foi ou está preso.

Basta lembrar que a Procuradoria Geral da República já pediu duas vezes a prisão do senador mineiro Aécio Neves e até agora o Supremo Tribunal Federal não se dignou a tomar uma decisão.

Às 20h33, entrou a manchete aqui no R7: "Ministra do STF autoriza a investigação contra José Serra _ Joesley Batista disse, em delação, ter dado R$ 20 milhões ao tucano em 2010".

A decisão foi tomada pela ministra Rosa Weber e assinada no último dia 18 de agosto, mas a divulgação do documento só entrou no sistema do STF nesta segunda-feira, informa o portal.

Como em ocasiões anteriores, o senador Serra divulgou nota afirmando que todas as suas campanhas foram conduzidas dentro da lei, sob a responsabilidade do partido, o PSDB.

Na Folha, o maior jornal do país, a informação foi dada em dois parágrafos sem destaque, no meio da matéria publicada no rodapé da página A4 sobre uma acusação de Rodrigo Janot contra Romero Jucá, que não tem nada a ver com o inquérito sobre José Serra:

"Também nesta segunda veio a público que a ministra do STF Rosa Weber autorizou inquérito para apurar suposto recebimento de caixa dois pelo senador José Serra (PSDB-SP) para a sua campanha à Presidência em 2010".

"O inquérito se baseia em trechos da delação de Joesley Batista, da JBS, que contou ter acertado pessoalmente com Serra contribuição de R$ 20 milhões para a campanha dele, dos quais R$ 13 milhões foram doados oficialmente, e o resto, via caixa dois. A PGR não apontou contrapartida dada por Serra, o que poderia configurar corrupção. A suspeita é de crime eleitoral".

E só. Na mesma edição, quatro repórteres foram destacados para escrever meia página sobre a pré-estréia do filme da Lava Jato, em Curitiba, com a presença do juiz Sergio Moro.

Por ironia, o nome do filme é "Polícia Federal _ A lei é para todos".