Na tarde deste domingo sem futebol, tive a oportunidade de participar, ao lado de Heródoto Barbeiro, Nirlando Beirão e Richard Rytenband, de um talk-show beneficente no Colégio Renascença sobre o cenário político do Brasil, em que nos foi feita a pergunta do título acima.

Como se trata de um tema que está em todos os debates Brasil afora, com todo mundo querendo saber qual o cenário para 2018, ano de eleições gerais, reproduzo abaixo o texto da minha apresentação na abertura do evento.

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O que falta para o Brasil decolar?

Como repórter de ofício, obediente aos fatos, farei apenas uma breve introdução ao nosso debate, destacando os pontos que impedem a decolagem.

Faltam a meu ver, principalmente, dois propulsores para fazer o Brasil decolar: confiança e credibilidade.

Há um clima generalizado de desconfiança entre os agentes públicos e privados, e entre os representantes dos três poderes.

Ninguém acredita mais em ninguém.

Faltam interlocutores e lideranças confiáveis, em todos os níveis e setores da sociedade, para estabelecer um plano de voo seguro para o nosso país.

Trago alguns números recolhidos nos últimos dias junto com a notícia de um crescimento de 0,2% no PIB do segundo trimestre, após 30 meses de recessão.

* Segundo o Índice Nacional de Confiança, estudo encomendado pela Associação Comercial de São Paulo, 63% dos 1.200 entrevistados nas cinco regiões do país se dizem pouco confiantes na estabilidade em seu trabalho e 30% acreditam que sua situação financeira vai piorar nos próximos seis meses.

* Uma nova pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, apresentada no último dia 25 de agosto, mostra que o índice de confiança dos brasileiros no governo federal chegou a 6%. Em 2013, o mesmo índice era de 33%. O Congresso Nacional, assim como os partidos, tem 7%. A instituição com o maior índice de confiança são as Forças Armadas, com 53%.

* Levantamento feito pelo jornal Valor Econômico mostra que no segundo trimestre de 2017 o Brasil tinha 15,2 milhões de lares onde ninguém trabalhava, 2,8 milhões a mais do que no mesmo período de 2014 _ um aumento de 22%.Quer dizer: em uma de cada cinco famílias no país ninguém tem renda do trabalho.

* Segundo pesquisa do instituto Ipsos, o índice de rejeição de todos os principais candidatos à Presidência da República nas eleições de 2018 está acima de 50%, como informou o Estadão.

Em consequência, diante destes números preocupantes, o clima de incerteza política e de dificuldades econômicas do governo e das famílias trava os investimentos, ainda em queda.

E investimentos internos e externos é tudo o que precisamos para fazer a roda da economia voltar a girar e o Brasil começar a deslizar na pista de decolagem.

Certamente, não será com esta fajuta "reforma política" e trocando o nome dos partidos, com o governo sempre ameaçado por novas denúncias, que nós vamos trazer de volta estes investimentos.

Para isso, volto a insistir, é preciso resgatar, antes de mais nada, a credibilidade e a confiança da população e dos agentes econômicos nos agentes políticos.

Como desatar este nó?

Este é o grande impasse em que nos encontramos, e reuniões como esta que estamos fazendo, que se multiplicam pelo país, podem nos ajudar a encontrar as respostas.

Eu confesso que não tenho a receita. Se tivesse, já estaria milionário...

Todo mundo quer saber o que vai acontecer no ano que vem, mas eu não sei nem como chegaremos ao final de 2017.

Só sei que para recuperarmos a confiança no país, precisamos primeiro voltar a acreditar em nós mesmos.

Precisamos esperar menos dos governos e mais da mobilização da sociedade civil, com cada um fazendo a sua parte, para assegurar um futuro melhor para nossos filhos e netos.

Vida que segue.

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