"Chega, ninguém aguenta mais tanto roubo. Isso já deixou de ser corrupção. É roubo, assalto aos cofres públicos para enriquecer os petistas" (Geddel Vieira Lima, em entrevista à TV, durante protesto contra a corrupção, no dia 16 de agosto de 2015, no Farol da Barra, em Salvador, Bahia).

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Em meio à avalanche de absurdos dos auto-grampos da JBS, da nova denúncia da PGR de bilhões em propinas para o PT e das delações sem fim, ganhou destaque nesta terça-feira a imagem da montanha de dinheiro encontrada num apartamento em Salvador a um quilômetro de onde mora o suspeito de ser o dono do tesouro.

Era tanto dinheiro que a Polícia Federal levou 14 horas e precisou de sete máquinas para contar a grana viva guardada em oito malas e cinco caixas de papelão mostradas durante todo o dia a um Brasil cada vez mais estarrecido e anestesiado.

Segundo os investigadores da Operação Tesouro Perdido, a arca de R$ 51 milhões de reais pertence a Geddel Vieira Lima, ex-ministro de Michel Temer, que passou apenas oito dias na cadeia em julho e ganhou um habeas corpus para cumprir prisão domiciliar, acusado de obstrução à Justiça.

Na denúncia apresentada à Justiça Federal, o Ministério Público Federal afirmou que Geddel tentava evitar a delação premiada de Eduardo Cunha e Lúcio Funaro no processo conhecido como "Quadrilhão do PMDB".

O que mais me chamou a atenção nesta intrigante história é como foi possível juntar toda esta montanha de dinheiro sem que nenhum caixa ou gerente de banco tenha desconfiado de nada. De onde saiu tanta grana viva?

Como foi possível a dinheirama circular por Salvador lépida e fagueira até chegar ao "bunker" do ex-ministro onde foi encontrada pela Polícia Federal?

Para tirá-la de lá, os agentes da PF precisaram de dois camburões atulhados até a tampa.

Geddel Vieira Lima é suspeito de ter recebido R$ 20 milhões em propinas quando era vice-presidente da Caixa Econômica Federal no governo de Dilma Rousseff, indicado por Michel Temer.

Se esta foi a origem do dinheiro apreendido, ainda não sabemos de onde veio o resto para se chegar aos R$ 51 milhões.

Neste filme de terror sem fim a que estamos assistindo, nada mais parece capaz de nos causar espanto.

Pense num absurdo, na Bahia tem precedente _ costumam brincar os baianos quando estas coisas acontecem.

Vida que segue.

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