Última semana de Janot deixa País em suspense

Janot e o advogado de Joesley Batista (Foto: Reprodução/O Antagonista)

E agora, o que Rodrigo Janot ainda pode fazer?

É o que todos se perguntam nos becos e nas bocas do poder em transe.

Para compensar a lambança da anistia ampla, geral e irrestrita concedida aos delatores da JBS, agora presos, Janot resolveu mirar suas flechas para todo lado, como um franco-atirador enlouquecido prestes a esgotar sua munição.

Faltando apenas uma semana para deixar o cargo, o procurador-geral, que virou a cena política de pernas para o ar nos últimos três meses, agora deixa o País em suspense.

No dia 13, já chamada de Super Quarta, o Supremo Tribunal Federal vai decidir se as provas obtidas no acordo de delação da JBS poderão ou não ser invalidadas.

Esta decisão interessa não só ao governo, mas a mais de 1.800 políticos denunciados pelo bando de Joesley Batista.

Na mesma sessão, os ministros devem analisar também o pedido de suspeição de Rodrigo Janot e a suspensão de eventual nova denúncia contra o presidente Michel Temer até que sejam esclarecidas as suspeitas sobre a delação da JBS.

Até lá, Janot deve apresentar a segunda denúncia contra Temer, desta vez por organização criminosa, baseada no processo do "Quadrilhão do PMDB" na Câmara, que envolve praticamente toda a cúpula do governo.

A denúncia deve incluir a delação de Lúcio Funaro enviada ao STF, no mesmo dia em que a Polícia Federal encontrou a arca de R$ 51 milhões atribuída ao ex-ministro  Geddel Vieira Lima, preso no final de semana.

Também para a Super Quarta, está marcado o segundo encontro de Lula com Sergio Moro em Curitiba.

Moro certamente deve interrogar o ex-presidente sobre  o "pacto de sangue" do PT com a Odebrecht denunciado pelo ex-ministro Antonio Palocci na última quarta-feira.

Ainda no mesmo dia, em Porto Alegre, o TRF deve analisar o recurso do ex-ministro José Dirceu, que se encontra em prisão domiciliar.

A pergunta que fica: se for anulada a delação da JBS, que quase derrubou o governo, quem vai pagar pelos prejuízos políticos e econômicos provocados neste longo inverno em que o Brasil não falou de outra coisa?

A boa notícia, segundo a previsão do tempo, é que acabou o frio do inverno antes da primavera chegar.

O tempo vai esquentar nos próximos dias que prometem fortes emoções, com os brasileiros já soterrados pela avalanche de escândalos políticos.

É o que nos espera.

Vida que segue.

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