Diante de Moro e na praça, Lula vai ao ataque por 2018

Lula subiu ao palanque nesta quarta (13), em Curitiba, após depoimento a Moro (Foto: FramePhoto/Folhapress)

Quem esperava um Lula acuado e na defensiva, após a delação de Antonio Palocci na semana passada, enganou-se.

Em seu segundo depoimento ao juiz Sergio Moro, o ex-presidente Lula foi ao ataque contra quem o acusou e falou como candidato, tanto diante de Moro, como no palanque da Praça Generoso Marques, no centro histórico de Curitiba, nesta quarta-feira (13).

Por várias vezes, o juiz pediu ao réu para não fazer discurso, mas ele queria falar à opinião pública e não ao juiz e promotores, e assim foi até o final do interrogatório encerrado abruptamente por Moro.

"Eu poderia ficar zangado, nervoso, mas eu quero enfrentar o Ministério Público, sobretudo a força-tarefa, para provar minha inocência. Eu só espero que eles tenham a grandeza de um dia me pedir desculpas. Posso olhar nos olhos dos meus netos e dizer que prestei depoimento a um juiz imparcial?".

Moro respondeu que "sim", mas Lula retrucou: "não foi isso que aconteceu na outra ação".

Nas duas horas de depoimento, o ex-presidente se colocou no papel de vítima de uma conspiração contra a sua candidatura promovida pela Justiça e pela mídia.

"Vocês do Ministério Público Federal viraram reféns da imprensa. Todo dia tem 20, 30 minutos de noticiário com denúncias infundadas contra mim nos telejornais".

Uma hora depois, na praça lotada, onde militantes o aguardavam desde o início da tarde, depois de ouvir um violeiro tocar o Hino Nacional, Lula adotou o mesmo tom emotivo da recente caravana de 22 dias pelo Nordeste, mostrando que já está em campanha para 2018.

"Prefiro a morte do que passar à História como mentiroso. Não há ninguém mais interessado na verdade do que eu. Se eu tiver que mentir para vocês, eu prefiro que um ônibus me atropele em qualquer rua deste país".

Com a voz embargada, como se alguém ainda tivesse dúvida disso, lançou um desafio:

"Eu não sei quantos processos eu tenho (...) Eu estou vivo e estou me preparando para voltar a ser presidente deste país. Nunca tive tanta vontade de disputar a eleição".

Lula é réu em seis inquéritos, denunciado em mais três e já foi condenado a nove anos e meio de prisão por Sergio Moro no caso do triplex do Guarujá.

Certamente a ofensiva de Lula em Curitiba não deve ter melhorado sua situação jurídica, ao contrário.

A principal peça de defesa do ex-presidente é sua própria candidatura presidencial, cada vez mais ameaçada pelos tribunais.

Ao desqualificar os delatores e dizer que Palocci mentiu ao denunciar um "pacto de sangue" entre o PT e a Odebrecht, Lula escolheu um caminho sem volta: enfrentar a Justiça no campo onde se sente mais à vontade, o da disputa política.

Resta saber como reagirá a tudo isso sua excelência, o eleitor.

Com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo em Brasília, malas de dinheiro circulando, delações bombásticas, prisões, magistrados e parlamentares se xingando, conflitos entre poderes, até agora não se sabe o que os brasileiros estão pensando disso tudo e do futuro.

O silêncio das ruas é acompanhado pelo mutismo dos principais institutos de pesquisa. Há quanto tempo Ibope e Datafolha não divulgam um novo levantamento sobre os efeitos da Lava Jato nas eleições de 2018?

Por enquanto, o que temos é uma guerra de palavras, entre acusadores e acusados.

O estrago na imagem de políticos e de partidos já está feito, qualquer que seja a decisão final da Justiça sobre as centenas de processos em andamento.

Até que ponto a crise política abalou o cenário eleitoral só as pesquisas poderão dizer. O resto é achismo de especialistas e marqueteiros.

Quem estará falando a verdade a esta altura do campeonato de delações e denúncias?

Vida que segue.

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