É como reprise de novela: você já conhece o elenco, a trama e o final. Os personagens são os mesmos. Vale a pena ver tudo de novo?

A partir desta segunda-feira, a Câmara deixa tudo de lado para julgar a nova denúncia apresentada pela PGR contra o presidente Michel Temer, desta vez por organização criminosa e obstrução de justiça, agora acompanhado por dois ministros, Eliseu Padilha e Moreira Franco.

Depois da leitura da denúncia, a Comissão de Constituição e Justiça tem que indicar um relator, abre prazo para a defesa, partidos trocam seus representantes infiéis e encena-se a batalha entre governo e oposição nos microfones, tudo com transmissão ao vivo pela TV Câmara.

O dono da bola, Rodrigo Maia, do DEM, que está disputando com o PMDB a aquisição de novos parlamentares, quer exibir o último capítulo, com a votação no plenário, até o final de outubro.

Quanto tudo isso vai nos custar em tempo, dinheiro e paciência?

Conta a favor de Temer o fato de que só falta um ano para as eleições presidenciais.

A quem interessaria trocar novamente de presidente agora e causar mais instabilidade política e econômica ao país?

Com a população ausente das ruas e do debate político, a popularidade do presidente no volume morto e o mercado feliz da vida com a Bolsa, aos nobres parlamentares só interessa aumentar seu poder de barganha para negociar emendas e cargos.

Ou alguém acredita que a oposição e os dissidentes conseguirão juntar 342 votos para permitir a abertura do processo contra Temer no STF?

Por isso, o Centrão, sempre ele, quer fatiar a denúncia para julgar separadamente o presidente e os ministros, o que apenas pode atrasar o processo e custar mais caro aos cofres públicos.

"Se houver condição regimental de separar, sou a favor", anunciou Carlos Marun (PMSB-MS), ex-comandante da tropa de choque de Eduardo Cunha e agora vice-líder do governo.

Como restaram pendências das negociações feitas na primeira denúncia, o baixo clero já avisou que nesta reprise da novela quer pagamento à vista.

Rachado como sempre e mais perdido do que nunca, o PSDB, principal aliado do governo, deve liberar a bancada e pediu para que o relator não seja ninguém do partido.

Presidente da CCJ, o deputado Rodrigo Pacheco informou que ainda está estudando o assunto com sua assessoria.

Outro tema que deve agitar a cena política em Brasília estes dias é o julgamento, na terça-feira, do pedido de prisão do senador Aécio Neves, presidente licenciado do PSDB, na Primeira Turma do STF.

E esta é a última semana para a Câmara votar o remendo da "reforma política", que ainda tem que passar pelo Senado. O prazo para as mudanças entrarem em vigor nas eleições de 2018 termina no próximo dia 7.

É o que temos no cardápio.

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